14:23“Cabelos Molhados ao Sul de Abril”

Do jeito que veio

JORNALISTA LANÇA ANTOLOGIA POÉTICA

O jornalista Raul Guilherme Urban lança na próxima segunda-feira, 30 de outubro, a coletânea poética “Cabelos Molhados ao Sul de Abril”. O lançamento será a partir das 19h, no Bar Café Arrumadinho, que fica na Travessa Jesuíno Marcondes, 165 – Centro.  Projeto realizado com o apoio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

O livro, com 210 páginas, contém poemas escritos de 1968 a 1986. Tem capa e ilustrações de Cristina Mendes, design gráfico de Johnny Cordeiro, revisão gráfica de Hellen Guareschi.

Dividido em seis partes, o livro contém o que o autor chama de “poesias políticas, lúdicas, do olfato, querer e sentir, latino americanas, marítimas e eróticas”. em sua maioria trabalhadas no estilo concretista – que teve como representantes maiores Augusto e Haroldo Campos, e Décio Pignatari, entre outros. No bloco alusivo às poesias “marítimas”, o autor buscou inspiração nos cantares de Dorival Caymmi e tantos outros que, mais adiante, no auge da Bossa Nova, navegaram de forma lúdica as águas de sal e suas paisagens, tendo o Rio de Janeiro como paisagem maior.

“Cabelos Molhados..” iniciou-se em setembro de 1968, às vésperas da edição do Ato Institucional Número Cinco, que mergulhou o Brasil no mais profundo silêncio ditatorial implantado em 1964.. Foi concluído em 1986, pouco após a morte do presidente eleito, Tancredo Neves, patrono da redemocratização do país. São 18 anos de escrita, de autoria de quem iniciou o trabalho ainda segundo-anista do Curso de Jornalismo, na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Católica do Paraná, e terminado quando deixou a Assessoria de Imprensa do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – o IPPUC -, onde atuou por dez longos anos.

A obra reflete, em sua essência, os vários ciclos da História do Brasil mutante. No primeiro bloco, o das Inverossímeis inverdades, fica claro que “o colonialismo está isento de taxas do fisco. Ordens de Portugal para El Rey.” No segundo bloco, o do olfato, querer e sentir, o poema Palavras de Cheiro lembra que “o hálito verde hidratou o meu bom-dia”. O terceiro bloco, alusivo à Latinoamérica, contendo poesias políticas, o capítulo estréia com dois capítulos do poema Duas Vias. O primeiro, afirma que “Ia incerteza mora na esquina da angústia”; o capítulo 2 lembra que “no cruzamento da dúvida está o sinal da esperança”.

A parte 4 – Poetares -, fala do construir, do deduzir, do conduzir, do dizer, do querer, do sonhar, do imaginar e do recortar. E deixa claro que “letras dactylografadas ferem a virgindade do papyro, qual navalha mutilando o íntimo do poeta”. As poesias marítimas, inauguram o quinto bloco frisando que “enfuno as velas – vida nova; navego; corrente forte, bruma perfumada, porto seguro. Destino: horizonte”. E no sexto e último bloco, a série poética (h)eró(i)tikas – um misto de Heróicas Eróticas, a poesia “Libélula” sobrevoa um instante de lascívia e de desejo, ao explicar que “amor é o saber da pele; saber é a carícia insone; amar, a eterna pergunta (…) e sei de ti pelo tato”.

O Autor – Raul Guilherme Urban é jornalista e pesquisador da memória histórica urbana. Mudou-se para Curitiba em 1967. Poeta, às vezes. Catarinense de Joinville, taurino de 1948, iniciou-se profissionalmente em 1968, com passagem nas rádios Independência, Guairacá e Iguaçu, daí se transferindo às redações dos jornais O Estado do Paraná, Diário do Paraná, sucursal da Folha de Londrina e Indústria & Comércio do Paraná. No serviço público, além do IPPUC (1976/1986), no período 1988/1992, duplamente concursado, trabalhou na Assessoria de Imprensa e Relações Públicas da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, e lecionou no Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Retornou à Prefeitura de Curitiba em 1993, mediante prestação de novo concurso e vinculado à Secretaria Municipal da Comunicação Social, onde permaneceu até agosto de 2017, quando se aposentou. Na SMCS, como repórter e assessor, no período, atendeu, às vezes cumulativamente, as secretarias municipais do Abastecimento, Esporte e Lazer, Relações Internacionais e Urbanismo. De 2009 até a aposentadoria atuou na Assessoria de Imprensa da URBS – Urbanização de Curitiba S/A, empresa responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte público. Nos últimos três anos, coordenou o Serviço de Rádio Trânsito, no Centro de Controle Operacional (CCO).

OBRAS – O autor publicou, em 1992, “Calçadão – 20 Anos Depois”, um Boletim da Casa Romário Martins em que conta a implantação, em 1972, do primeiro calçadão exclusivo para pedestres, em Curitiba. NO ano seguinte, outro boletim da Fundação Cultural narra a trajetória do fotógrafo Francisco Kava, que na época tinha grande projeção regional, e que tragicamente morreu afogado na Ilha do Mel, no litoral paranaense. Em 1996, em co-autoria com o já falecido dentista parnanguara Alceu Tramujas, organiza e publica “Histórias de Paranaguá – dos Pioneiros da Cotinga à Porta do Mercosul no Brasil Meridional”. No mesmo ano, organiza e edita os Anais do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Tuiuti do Paraná.

“Curitiba: Lares & Bares – Viagem pelas Histórias e Estórias nos Dias e Noites dos Bares de Curitiba”, um lançamento de 2002, é um verdadeiro hino à boêmia nativa. “Pelos Bares do Paraná”, publicação do jornalista Norberto Staviski – em que faz um retrato, agora da boêmia regional paranaense – lançamento de 2003, tem a colaboração deste autor, que reescreve e atualiza a história dos bares curitibanos. De 1985 a 1996 colaborador da extinta revista “Carga & Transporte”, de São Paulo, o autor, especializado em transporte multimodal,  em 2004, lançou “A História do Sistema de Transporte Coletivo de Curitiba – de 1887 a 2000″.

3 ideias sobre ““Cabelos Molhados ao Sul de Abril”

  1. Raul G. Urban

    Zé, obrigadão pela colher de chá. Se fazer poesia – enfim, escrever no sentido genérico – faz bem à alma, publicar os escritos é que são elas. Mas continuamos lutando, dia a dia, para que a leitura, no Brasil, mais que obrigação imposta, seja algo prazeroso. Dou as boas-vindas a quem comparecer, dia 30, ao lançamento, no Arrumadinho da Jesuíno, à noite. Afinal, o “poetar” traz no âmago o sentido lúdico da vida, em meio a tantas tormentas que diariamente assistimos no cenário nacional. Grato – Urban

  2. Célio Heitor Guimarães

    Grande Raul! Parabéns e votos de sucesso, que você bem o merece. Só não poderei comparecer por conta de uma artrose no joelho, que me impede o caminhar. Coisa de gente velha. Mas estarei presente em espírito. Tenho muito amigo frequentador do Arrumadinho: Márcio, Turin, Dilson et caterva. Ótimo lugar para lançar poesia e poetar. Forte abraço.

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