8:36Andar de cima brasileiro repete forma de intimidação de regimes comunistas

por Elio Gaspari

A repórter Sonia Racy contou que dezenas de pais de alunos da escola britânica St. Paul’s, uma das melhores e mais caras de São Paulo, se organizaram para demitir uma funcionária encarregada da área de tecnologia.

O motivo da mobilização vem a ser o fato de a senhora ser casada com um pecuarista, acusado pelo Ministério Público de chefiar um grande esquema de grilagem, trabalho escravo, horrores e desmatamento de 300 km² na Amazônia. Em 2016, ele foi multado em R$ 332 milhões.

Na opinião de uma das mães de alunos, “como um colégio tão cheio de regras permite uma funcionária casada com um desmatador?”

O que a mulher de um sujeito tem a ver com o que ele faz, não se sabe, mas o caso não termina aí. Ele começa no lance seguinte: a patrulha pediu também que fossem retirados do colégio os dois filhos gêmeos do casal.

Briga de pais em colégio frequentemente tem muitos motivos, mas o que impressiona nessa turma é que o andar de cima, que põe suas crianças na St. Paul’s, argumente com o que faz o pai para justificar a punição de crianças. Essa era a forma de intimidação mais cruel a que recorriam os regimes comunistas para castigar os “inimigos do povo”.

No ano do centenário da Revolução Russa, os patrulheiros poderiam perder algum tempo aprendendo o que acontecia na União Soviética com essas crianças malditas. Está na livrarias “A Estrada”, do escritor Vasily Grossman, que num breve conto (“Mama”) narra a vida pelo olhos uma um criança órfã, filha de um dos grandes assassinos de Stálin que, como era rotina, acabou fuzilado.

Para quem quiser uma memória real, está na rede “The Girl from the Metropol Hotel” (“A Menina do Hotel Metropol — Crescendo na Rússia Comunista”). Nele, Ludmila Petrushevskaya conta sua infância, do conforto onde vivia a elite bolchevique, ao inferno da vida dos “inimigos do povo”.

Carteirada de Aécio obriga PSDB a parar de fingir que lida com ele

A carteirada com que Aécio Neves depôs o senador Tasso Jereissati da presidência do PSDB obrigou o tucanato a parar de fingir que lida com o Aecinho, neto de Tancredo Neves, menino de praia e freguês da noite do Rio.

Aécio é um coronel. Como senhor das Gerais, manteve a imprensa mineira sob uma pressão sem paralelo entre os grandes Estados. Podendo, dava uma passadinha pelo circuito chique-brega de Paris.

O coronel Aécio mostrou seu chapéu na maneira como enfrentou a denúncia de que construíra um aeroporto na cidade de Cláudio para atender as conveniências de sua família.

*Publicado na Folha de S.Paulo

2 ideias sobre “Andar de cima brasileiro repete forma de intimidação de regimes comunistas

  1. Uncle Joe

    Isto prova como a nossa “elite” pensa, em primeiro lugar por se achar elite. Mas até se entende, os filhos mandam nos pais e estes obedecem passivamente. E depois se acham pessoas abertas, tolerantes e modernas. Mas com pecuarista, grileiro, desmatador e escravizador de mão de obra? Pau na família dele que, de uma forma ou de outra não difere das demais dos frequentadores do dito colégio.

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