7:34Amanhã será outro dia

por Rogério Distéfano no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

DO RIDÍCULO AO PATÉTICO. Foi o trajeto do PT no julgamento de Lula.

Primeiro, o comportamento: o partido continua sob os dogmas do destino manifesto e da infalibilidade de Lula. Ou seja, qualquer condenação judicial ou derrota política é a negação das benesses que trouxe ao país e a afirmação de atos de corrupção por seu líder é algo de gravidade equivalente à de negar a imaculada conceição (a virgindade da mãe de Cristo, viu, senadora presidente).

Segundo, o comportamento que raia o infantil de achar que numa democracia demonstrações de massa acuam os poderes estabelecidos: Lula ignorou a dignidade de ex-presidente e se mandou para a Porto Alegre a fazer comícios para intimidar os juízes do TRF, um comportamento pelo menos mais evoluído que o na antológica foto de sua campanha contra Fernando Collor, na qual aparecia com ar compungido ao lado da filha Lurian, que o adversário – mais tarde seu aliado – alegara em campanha que o pai, Lula, havia rejeitado na gravidez da mãe.

A sentença de condenação foi confirmada pelo tribunal. Aqui ingressa a ignorância, crassa ignorância, da liderança do partido, sobretudo de sua presidente – esta assina com todas as digitais o atestado. De novo, aquilo de constranger o tribunal, até com os argumentos do advogado. Qualquer advogado sabe que por mais aguerrida seja sua defesa do cliente ela nunca se faz agredindo o juiz. Para isso a lei faculta alegar suspeição ou impedimento, que o advogado jamais usou. Aliás, por melhor que seja o advogado de Lula, ele é o sócio minoritário do escritório de Roberto Teixeira, compadre, advogado e benfeitor-beneficiário de Lula.

A defesa de Lula merecia um medalhão da advocacia, afinal, do outro lado estava um deles, René Dotti. Faltou dinheiro ou os medalhões perderam a confiabilidade para o PT? O partido sequer buscou seus craques, José Eduardo Cardozo e Luis Eduardo Greenhalgh, para patrocinar a causa de Lula. A presidente do PT veio com aquela de que o juiz relator era “militante” e de que o “resultado” pela unanimidade “foi combinado” entre os desembargadores do TRF.

A senadora presidente já demonstrou que é trêfega e destemperada. Oito anos de diretora de Itaipu, quatro de ministra de Dilma, mais quatro no Senado não lhe acrescentaram noção das coisas, discernimento. Lembro do episódico sintomático de, ministra de Dilma, ter comparecido ao Senado para prestar informações e por-se a dar lições de moral no senador Aloysio Nunes Ferreira, líder tucano. Recebeu uma descompostura olímpica: “a senhora pode ser senadora, mas está afastada, tem aqui seu suplente; pode ser ministra, mas vem de outro poder, que não é maior nem menor que o Legislativo; portanto, componha-se”. E ela se compôs, rabinho entre as pernas.

Ao voltar ao Senado, findo o primeiro mandato de Dilma, retomou a histeria que hoje beira o paroxismo. Tinha direito, espelhava-se num companheiro de bancada. O PT deve estar em processo de desmanche ou em falta de líderes para entregar a presidência. A senadora do Paraná fez bem ao aceitar ser presidente: ali está sua última chance de sobrevivência política. Tanto que em Porto Alegre se fez de Santa Verônica, envergando a camiseta cor de sangue com a efígie de Lula.

Isso de dizer que o TRF combinou o resultado do julgamento não é apenas um crime. É coisa pior, como disse o velho Talleyrand quando Napoleão mandou matar o duque de Enghien: é um erro. Se o julgamento é colegiado, o resultado unânime, como aconteceu, é uma das possibilidades. A outra seria o julgamento por maioria, pró ou contra. A senadora diria o mesmo caso o julgamento unânime fosse pela absolvição de Lula?

A presidente do PT, lamentavelmente senadora pelo Paraná, é formada em Direito, advogada de carteirinha. Não quero ser injusto com a escola em que se formou, mas seus professores neste momento devem estar, os que a aprovaram, envergonhados, e os que lhe deram notas baixas, seguramente dizendo “nós avisamos”.

Será que a senadora passou um dia por uma banca de segunda época, aquelas com dois ou três examinadores? Aprovada por unanimidade, foi caso de justiça, ela diria. Reprovada por unanimidade, foi resultado combinado – com certeza ali iniciou sua jurisprudência da estupidez. Que falta faz a norma do silêncio obsequioso nessas horas.

A montanha petista pariu um rato. Agito em Porto Alegre, bloqueios na Bahia, vias com policiamento aqui mesmo, em Curitiba, em frente ao foro do juiz Moro e na praça Santos Andrade. O dólar, que havia subido ontem, baixou hoje. O deus Mercado é mais forte que São Lula e a Imaculada Gleisi Hoffmann. Amanhã será outro dia, infelizmente com a malta de Michel Temer – que, nunca devemos esquecer, foi inventada, alimentada e recebeu aliança preferencial e bençãos de Lula (Dilma, reconheça-se em seu benefício, nunca engoliu Michel Temer).

Caberia ao PT neste momento lamber as feridas, fazer ato de contrição, expulsar seus vendilhões do templo e abrir uma nova era. Melhor voltar ao que foi antes do poder, a consciência crítica da nação. Será que vai fazer isso? Muito difícil. Lula vive o ranço da ingratidão, Gleisi vive o terror da abstinência, Dilma, a sobrevivente, vive o drama da rejeição. Pior que tudo, a burocracia do partido lamenta a perda das benesses e, a militância, pobre militância, mata e morre pelo falso ídolo.

 

6 ideias sobre “Amanhã será outro dia

  1. Sergio Silvestre

    Hum,parece que gostamos de engravatados cheirosos,mesmo que esse seja tosco como o Lula epego a laço lá no sudoeste ou sendo parido de uma costela do Moro.
    Isso foi que eu vi ontem na leitura do tal “GEBRAN”,me desculpem,um cara como esse não passa em concurso nenhum,tem que ter uma indicação politica para ser desembargador ,que até hoje não sei pra que serve,ou serve para dar golpes e fazer essas aberrações jurídicas.
    Mas ontem o Brasil parou para ouvir os desembargadores o dia inteiro uma coisa obvia que já teriam combinado que no linguajar discriminatório e quase nazista desses justiceiros sulistas,chamam o Lula de “nine” por causa do seu defeito físico e jararaca,uma cobra venenosa muito comum em todos os cantos do Brasil.
    Continuo com a mesma ideia do que é a justiça brasileira,se o pobre dar um tiro na testa de um rico é condenado a pena máxima,mas se for o rico que da um tiro na testa de um pobre ele mesmo morto será condenado por ter interceptado a bala.

  2. Nonsei

    Por favor, lenços para a viúva SS! Ela está desconsolada!! Vai chorar nos ombros do homem da cidade dos porcos!!!

  3. Fausto Thomaz

    Já era hora dessa cambada de vagaba pagar pelo que fizeram durante esses 13 anos de desgoverno…CHUUUPPPPAAA MOLUSCO, CHUUUPPPAAAA BARBIE PARAGUAIA, CHUUUPPAAAA TOLEDO, CHUUUPPPAAAA SILVESTRE HAHAHAHAHAQHAHAH

  4. TOLEDO

    O ilustre escriba e da tchurma dos coxinhas. Conhece pobre por fotografia, o Greca ao menos quase vomitou quando foi coloca-lo no carro.

  5. antonio

    Uma pergunta um tanto imbecil para o momento: alguém sabe dizer se os juízes do TRF ganham auxílio-moradia?

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