16:19A modernidade brasileira fazendo das suas

por JamurJr.

Tenho um amigo a quem me acostumei a chamar de Nego Bita. Isso faz mais de 30 anos. Um amigo daqueles de se guardar no lado esquerdo, como dizia Milton Nascimento. Nego Bita, a pele um pouco mais escura que a minha, é um ser muito querido, elegante, inteligente, leal e de excelente caráter. Os tempos modernos já não permitem que alguém chame até um amigo intimo, numa demonstração de carinho, de NEGO qualquer coisa. Nego é proibido. Mudaram para afro-descendente. Como mudaram favela para Comunidade. Imaginem o cancioneiro romântico dos anos 50 cantando – “Comunidade oi, comunidade. Comunidade que não me sai do pensamento”.  Agora mudaram também o nome do condenado para “paciente”. A penitenciária de Piraquara está repleta de “pacientes” – ou não?. Será que pacientes são somente os de colarinho branco? Os chamados “pé de chinelo” continuam sendo condenados, bandidos etc? Sei lá.  Só sei que está cada dia mais difícil acompanhar o ritmo das mudanças. Dia desses ouvi na TV um apresentador dizendo que “tava lembrando” qualquer coisa. Tava? Que verbo é esse? Um jornal de Curitiba publicou que “Tamo junto”. O que é isso? É a modernidade brasileira fazendo das suas. 

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