11:27Requião, o candidato a presidente

Da coluna de Janio de Freitas, na Folha de S.Paulo

Outro solicitado a lançar-se, dada sua oposição nacionalista ao neoliberalismo, é o senador Roberto Requião. Precisaria, porém, deixar o MDB, onde Michel Temer e sua cavalaria não lhe dariam nem uma só letra da legenda. Não seria uma candidatura fácil, mas, com um tempinho de propaganda gratuita e com debates, o estilo Requião poderia dar trabalho aos concorrentes. Com o adiamento no Supremo, as esperanças dos adeptos da candidatura Requião, que contavam com o intervalo entre o julgamento do HC, na quinta passada, e 7 de abril para últimas negociações, e treitaram-se como o próprio intervalo.

Descontrole do STF impõe prazo exíguo para outros presidenciáveis

Adiamento de decisão sobre Lula traz danos ao quadro de possíveis e novos candidatos

O descontrole do Supremo, tendo como um dos efeitos o adiamento do habeas corpus de Lula para 4 de abril, trouxe danos ao quadro de possíveis e novos candidatos à Presidência. Negociações e decisões eleitorais que disporiam de mais duas semanas, a partir do julgamento, passaram a contar com o exíguo período do dia 5 ao 7, encerramento das filiações partidárias.

O caso de maior expressão é o de Joaquim Barbosa, ex-ministro do próprio Supremo. A aceitação ou recusa do habeas corpus (HC) de Lula não seria, nem será, decisiva sobre sua pretendida candidatura. Mas influirá, como estímulo ou como advertência, para outros pretendentes.

O pouco que se sabe sugere que Joaquim Barbosa tem feito sondagens entre eleitores, assim como integrantes do PSB que o apoiam e mostram otimismo. Com decisão a ser fixada depois daquele julgamento.

Se Joaquim Barbosa entra no PSB e sai candidato, tudo muda na disputa. Há convicção de que muitos apoiadores atuais de Jair Bolsonaro transferem-se para Barbosa. Ainda que seja em menor proporção, o mesmo se passará com apoiadores de outros candidatos e partidos, como Alckmin, o PT com Lula ou com outro, e, sejam quais forem, os candidatos do DEM e do MDB.

Mas a indicação é de que Barbosa pondera muito o que seria uma disputa com Lula e o que é a sua hora. Logo, o julgamento lhe é indispensável, e bom número de dias para definir seu rumo.

Outro solicitado a lançar-se, dada sua oposição nacionalista ao neoliberalismo, é o senador Roberto Requião. Precisaria, porém, deixar o MDB, onde Michel Temer e sua cavalaria não lhe dariam nem uma só letra da legenda. Não seria uma candidatura fácil, mas, com um tempinho de propaganda gratuita e com debates, o estilo Requião poderia dar trabalho aos concorrentes. Com o adiamento no Supremo, as esperanças dos adeptos da candidatura Requião, que contavam com o intervalo entre o julgamento do HC, na quinta passada, e 7 de abril para últimas negociações, e treitaram-se como o próprio intervalo.

Essa interferência política do Supremo e a trapalhada que a originou no tribunal fluíram como consequência de uma deformação muito difundida: os que se opõem ao reexame da autorizada prisão após a segunda instância de julgamento, e não após a última como diz a ordem constitucional, estão pensando em Lula, só em Lula. Em que Lula, condenado em segunda instância, deixaria de ser preso em breve. A prisão só poderia ocorrer se perdidos os recursos à última instância.

Lula, no entanto, é só um pormenor em não se sabe quantos milhares de condenados tornaram-se sujeitos, pelo país afora, à prisão precipitada porque assim decidiu um voto de diferença, um único, no Supremo.

 

Com a fixação em Lula, inclusive de alguns ministros do tribunal, a ministra Cármen Lúcia cedeu a uma contradição inesperável. Se reconhece a prioridade devida aos HCs, apesar disso recusou-se a incluir qualquer deles na pauta de julgamento, porque implicaria a rediscussão das prisões na segunda instância. E, se derrotada sua posição exposta naquele voto único, estaria impedida a prisão de Lula em breve. Foi o ministro Celso de Mello quem convenceu Cármen Lúcia a enfim pautar o HC de Lula, antes que o ministro Marco Aurélio pedisse o julgamento, também retardado, de duas ações contrárias à prisão antecipada.

Pensar só em Lula impede compreender que corrigir o descaso com a Constituição, um ato ameaçador, não é contrário ao que chamam de segurança jurídica, a estabilidade das bases da legislação. Impor medida de momento e desrespeitosa da Constituição é que foi a agressão à tão pedida estabilidade jurídica.

Janio de Freitas

2 ideias sobre “Requião, o candidato a presidente

  1. BOTAFOGO PRESIDENTE.

    E nós paranaenses estamos perdendo sem duvida o Maior dos candidatos,quase uma divindade politica,e poderia sair com chapa puro sangue,tipo Beto -Cida ou Beto -Ricardo,
    Eles sem duvida iam levar o milagre paranaense para todos rincões do Brasil,iam implantar o pedágio paranaense em todo Brasil e nuns 20 anos as estradas brasileiras teriam todo mato capinado,com algumas terceiras pistas e umas duplicações publicas privadas que ninguem é de ferro.
    A falta de dinheiro seria simples com o confisco das previdências e o aumento de IPVA em 40%,colocaria a policia para fiscalizar a arrecadação no transito,até por que bandido na rua é um detalhe e precisa de algo para desviar a atenção.
    VAMOS LÁ,BETO-CIDA PARA PRESIDENTE.

  2. Vidal

    Esse Janio de Freitas acha que conhece o Brasil. Encastelado em SP e na FSP se mete a dar palpite em tudo. Requião alardeia sair candidato por dois motivos: a) Tem inveja de Alvaro Dias (assim como, também tem inveja de Jaime Lerner). Se Álvaro está na mídia por conta de sua candidatura, este tranqueira quer, porque quer, aparecer. Inveja pura! b) Requião sabe que nunca será o candidato do PT, embora tenha se elegido várias aqui no PR com o voto desses eleitores petistas encardidos. O PT tolera e debocha de Requião, o considera um porra louca, inconfiável para a legenda, um legítimo comandante de exército brancaleone…

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