por Diego M. Salomão
A última Copa foi particularmente desgastante, apesar de divertida. Divertida, claro, pelo aspecto técnico, porém, desgastante por uma politização desmedida e absolutamente panfletária. Entenda: não sou ingênuo e claro que futebol é político também, mas como diria Freud, há momentos em que um charuto é apenas um charuto.
Muito se questionou a FIFA por um suposto favorecimento à Argentina, que perdeu a Copa e teve um jogador expulso na final, mas mais do que isso: agora os historiadores formados pela Uninstagram decidiram cavoucar e questionar os três títulos ganhos pelos argentinos anteriormente. Sinceramente? Não sou contra, mas se é pra mexer em passado, que se mexa direito!
Começando do começo, quero saber por que Mussolini escalou os juízes em todas as partidas do título italiano em 1934. Também adoraria saber por que o nosso Mané Garrincha foi expulso na semifinal de 62 e com uma canetada no melhor estilo Donald Trump a FIFA revogou sua expulsão e ele pôde jogar a final. Bem verdade que na época não havia suspensão automática, mas por que não houve julgamento do caso? Falando em FIFA, aliás, não é meio suspeito que o presidente da entidade, um inglês à época, tenha escalado um bandeirinha da União Soviética numa final entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, lembrando que era o auge da Guerra Fria (evidentemente a Inglaterra ganhou)?
Também é um pouco questionável que Pelé tenha jogado a final de 1970, sendo que merecia ter sido expulso na semifinal contra o Uruguai ao desferir uma cotovelada no rosto de um adversário. Se a Regra tivesse sido aplicada corretamente, ele não teria jogado a mítica final do nosso tricampeonato.
E aí, sim, podemos falar da Argentina. O que diabos o governo Videla queria com a Federação Peruana e por que o juíz não anulou um gol de mão de Maradona, oito anos depois? Antes de finalizar meus questionamentos, uma última pergunta: por que os juízes roubaram descaradamente para o Brasil na campanha do penta, nos jogos contra Turquia, com um pênalti inexistente para nós, e contra a Bélgica, anulando um gol legítimo dos belgas?
Na verdade, todas essas perguntas têm uma resposta clara: não é a Argentina. É o futebol que é podre e todas as federações são coniventes. Ou você entende e aceita isso, ou para de assistir. Agora, assistir e ficar atribuindo qualidades de bem e mal, como se estivéssemos num filme de Star Wars ou dos Vingadores, é no mínimo ser muito ingênuo – ou um grande filho da puta, por escolher apenas um lado para vilanizar.