(UM PEDACINHO)
Tudo o que foi feito, tudo o que não foi, sonhos mal sonhados, desejos incompletos, tudo o que foi nosso, tudo o que não é, cada desabraço, cada rosto amado que foi perseguido e nunca alcançado, é desse caldo informe que me nutro quando rememoro o tempo desse nosso outrora onde começava a construção disso tudo que hoje é memória, mas memória inexata, inventada um pouco, desvivida muito, quem sabe se não foi tudo um plano que falhou. Quem sabe se sabíamos que não seríamos premiados, e que não existe um pote de ouro no fim do arco-íris. Quem sabe se não nos mentiram quando prometeram o amor e suas delícias, e se a entrega houve já não importa, que não me lembro de nada, e se não lembro foi mentira. E todas aquelas pessoas que conviveram conosco, de quem fomos intimos na repartição de tudo? Não lhes guardo mais os traços, são pessoas que nunca existiram. E os sonhos da adolescência, a bravura de uma luta quando acreditávamos nas nossas bandeiras? Tudo ficou esquecido no passado, sobre tudo se assenta o pó do tempo.
Belíssimo texto Padrella. Verdadeiro e tocante!!!