Quando olho para o céu à noite
Volto para casa
Essa é a condição básica
Da minha existência
Fico a ver estrelas no horizonte
Penso em construir uma luz
Jamais vista, mas lembrada
É porque estou só
Que consigo ver
O que as pessoas fingem não saber
E permaneço imóvel na solidão
Tudo é uma lembrança
De quando eu era criança
E não sabia ouvir não
Porque sabia subir e descer
Sem nunca me machucar
Para os poetas, sou breve
Para os filósofos, sou marca
E para mim, sou nada
Tanto que me esforço para viver
Mas queria era mesmo ter
Uma condição menos heróica
Então desenho linhas paralelas
E entre elas preencho com cores amarelas
Porque sei que falei por ser verdadeira
Mas me prejudiquei inteira
A única coisa que fiz por mim
Foi caçar palavras no fim
E cheguei enfim ao segredo
Hoje cedo eu cedi
E entrei em contradição
Sou a lição ou a tentação?
Haja tanta poesia
Faça-se o que eu temia
Não ser o que penso
Mas ser o fim do começo