por Mário Montanha Teixeira Filho
No início do inferno bolsonarista, publiquei aqui, no Blog do Zé Beto, um pequeno texto chamado “Pílulas de ficção” (13/12/2019). As considerações rápidas que fiz naquela época não perderam atualidade – a sucessão de absurdos que tomou conta da política brasileira segue, protagonizada por golpistas conhecidos. Com pequenos retoques, então, reapresento as minhas pílulas antigas.
- O mito é amigo de milicianos. É vizinho de milicianos. É defensor de milicianos. E milicianos mataram Marielle Franco e Anderson Gomes. Mas é só coincidência.
- O mito é amigo de Queiroz. E Queiroz foi assessor do filho do mito num parlamento estadual. Queiroz fez operações ilegais em nome do filho do mito. Queiroz depositou dinheiro na conta da esposa do mito. Mas é só coincidência.
- O mito ganhou eleição para governante supremo. Havia, numa província distante, um juiz que condenou o adversário do mito, prendeu o adversário do mito, vazou informações que foram usadas contra o adversário do mito, orientou a acusação, articulou com procuradores, com tribunais, com homens de toga e cabeça política, e garantiu a ascensão do mito. O magistrado impoluto, então, virou ministro do mito eleito, conselheiro do mito, amigo do mito. Mas é só coincidência.
- O mito reverencia ditaduras e dá apoio e armas aos encarregados de eliminar os pobres condenados porque são pobres. O mito gosta de destruição, mas não gosta de bichas nem de mulheres nem de pretos nem de índios. A mata queimada por amigos do mito, o veneno no mar e nas mesas de quem ainda pode comer, a periferia massacrada, as balas perdidas que se encontram nos corpos de pretos e bichas e crianças e mulheres e índios, tudo acontece. E tudo acontece muito rápido. Mas é só coincidência.
- O mito banaliza a tortura. Incentiva a tortura. Quer a tortura. E as forças da ordem, da ordem de quem manda, estão cada vez mais sanguinárias e cheias de ódio. Mas é só coincidência.
- O mito não responde, o mito não se importa. Mas a vida insiste, mas ainda há vozes a perguntar: quem mandou matar Marielle e Anderson? Não terá sido coincidência.
Os poemas são bem melhores…
O juíz não condenou, quem condenou foram as provas, juíz só sentencia, aliás mais duas instâncias também fizeram o mesmo, inclusive uma delas aumentou a pena.
Quanto a ditaduras, lula também bajula ditadores mundo afora e terroristas também, desde há muito tempo, sempre lambeu as botas de fidel, chavez, putin, do battisti e mais recentemente do hezbolah e dos iranianos que mataram algumas dezenas de milhares de opositores.
O feminicídio bate records no governo atual, desmatamento idem, cabe lembrar que o atual partido está no poder por vinte anos dos últimos vinte e quatro anos.
Quem mandou matar Marielle foi um ex aliado de Dilma…