por Cláudio Henrique de Castro
A comparação entre o futebol arte de Pelé e outros de um passado fica cada vez mais longínqua com a atual Seleção brasileira. Temos um abismo entre a era de ouro da criatividade individual e o pragmatismo sistêmico das convocações de 2026.
O passado escorre pelos dedos e o futuro é incerto e sem horizontes.
O Rei do Futebol representava a síntese da genialidade que moldava a tática; a atual lista de jogadores é uma salada de milionários que não se importam com a camisa amarela, e nem de longe estão entrosados.
Depois uma derrota ou um empate medíocre o escrete vai para a balada, sai sorrindo dos jogos, feliz e sem dar as mínimas à farda amarela.
O absurdo e a ignomínia chegaram na camisa canarinho que estampa um jogador de basquete.
Antevisão e objetividade, Pelé executava lances complexos, como o drible de corpo contra o Uruguai em 1970, sempre visando o gol e a eficiência máxima, hoje os dribles são raros. O jogo resume-se a passes, tum-tum-tá e chuveirinhos na área.
Inversão de valores na criação: o meio-campo sofre com burocracia excessiva e falta de criatividade aguda, dependendo quase que exclusivamente de lampejos individuais, que dependem do horóscopo do dia.
Predestinação e maturidade precoce: com 17 anos na Copa de 1958, Pelé decidiu jogos sob extrema pressão com a postura e frieza de um veterano. Coisa que não existe mais, tudo é motivo para dengo e choradeira.
Privilégio à experiência estagnada: quem manda no time são antigos medalhões, em declínio e fisicamente decadentes.
Coletividade potencializada: na Seleção de 1970, Pelé recuava para armar e fazer o time jogar junto em um esquema perfeitamente harmônico, isso somente acontece em times treinados e concentrados, hoje o que impera na cabecinha oca dos jogadores são as redes sociais, a badalação com musas fajutas, as festas e a vida desregrada.
Fracionamento, panelas e fim de carreira: a convocação de nomes envolvidos em polêmicas ou que retornaram ao futebol brasileiro sem o antigo brilho. Precisa falar os nomes?
Aposta em Neymar sem ritmo: o camisa 10 foi convocado mesmo após longo período afastado por graves lesões e longe do seu auge físico, que se traduz numa convocação mais midiática do que técnica.
Preterição de João Pedro: o atacante do Chelsea, que viveu grande fase na competitiva Premier League europeia e participou ativamente do ciclo de testes, acabou cortado da lista final por Ancelotti. Nenhuma explicação convincente, apenas frases vazias e de efeito (O futebol não é uma ciência exata, blábláblá…).
Ausência de goleiros em alta: goleiros seguros que vinham se destacando no cenário recente — como Bento e Hugo Souza — perderam espaço para a escolha do veterano Weverton, priorizando uma contestada segurança e experiência duvidosas.
Se na era de Pelé o futebol brasileiro assombrava o planeta pela capacidade de improviso com propósito, o cenário de 2026 evidencia uma Seleção engessada, cercada de desconfiança popular, refém de escolhas burocráticas e patrocinadores.
E quanto ao técnico? Um estrangeiro, sem empolgação ou samba no pé que ganha quase 6 milhões por mês, fora as verbas com propagandas, sem nenhuma história no Brasil. Vitorioso no futebol europeu, é verdade. Um gênio?
Tudo demonstra um grande período de decadência, pois segundo a narrativa da CBF, não há no Brasil técnicos à altura de uma Copa do Mundo?
Por falar em CBF, como estão os ex-presidentes, quase sempre envolvidos com negócios obscuros, listados na Interpol, a cosa nostra do futebol latino-americano.
E quanto a um futebol profissional e competitivo? Onde foi parar?
Restaram os estádios da Copa, com times endividados e a elitização nas torcidas.
E o patrocínio da seleção e jogadores por bebida alcóolica? O esporte e a disciplina se identificam com alcoolistas?
Baixem os panos e fechem-se as cortinas, game over.