6:24ticiana vasconcelos silva

Tudo o que a gente quer é mais simples do que podemos imaginar.
Uma casa à beira do lago com chaminé, forno a lenha, café no bule e seu aroma, bolo de fubá, um gato e livros. Tudo o que aqueça o coração.
Porque o simples e a verdade continuam sendo belos.
Porque a angústia pode ser curada e histórias podem ser contadas. Em livros ou aos descendentes. Senão, qual a graça da vida?
Meu sítio está lá no sertão. E a mata aqui dentro. Porque não se mata o que se aprende. E o que se extrai ainda é a essência. Senão, qual a razão de viver?
Meus livros, meus companheiros.
Dos céus à Terra eu vi e aprendi que a vida é eterna.
Nasci com o melhor. Vivi e convivi com a minha dor. A cura foi sacramentada no leito de quem acredita que ainda há esperança.
Li toda sabedoria. Meditei todos os dias. E olhei para fora. Lá estava a resposta. A sintonia com que eu sempre soube. O simples. O belo. E nada mais. A felicidade na porta da cidade que me recebeu. Santa Felicidade. Salvou-me até eu ter a idade de respirar. Igrejas, ruelas, mares, serras, museus, montanhas, vales e histórias. Histórias para ouvir, contar. Em livros ou aos descendentes.
Imagens, cenários e toda fantasia que puderem viver: aqui eu deixo o meu sepultamento para uma vida ampla e cheia de raízes. Volto à árvore da vida. O filme, bem lembrado. Tantos enganos, tantos desencantos e prantos. Nada mais me fere. O café estará sempre pronto para a próxima viagem. A jornada que se faz no chão. Pés descalços na terra molhada. Abençoada e amaldiçoada. Eu sou apenas as milhares de tentativas de erros e acertos. Mas também sou a consagração de um história que me convenceu que a dor de ser humana me faz voltar para o que realmente é coerente. Venham monstros e sombras comprovar que eu sei o significado de tudo. Como um segredo. Como o que eu trouxe de mais puro. Um dia estarei em meu quarto escrevendo cartas. Cartas aos marinheiros. Que sabem admirar o mar. Nessas inconstâncias vivas vivemos profundamente. E eu voltei para escrever o que se sente quando a luz desce sobre toda essa gente.

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