11:01Pano vermelho

de Ticiana Vasconcelos Silva

Vi um pano vermelho estendido
Ele tinha mais de cem mil anos
Vi uma mulher de saia branca
Andava ao lado do filho
Eles tinham a vida
Nada que eu veja é real
São imagens
Fico tentando descobrir
Se o que vejo sou eu mesma
Saber que sou tão velha
Quanto uma pele que se queima
Saber que a vida é maior
Que o azul em uma abelha
Com a coragem de chorar
Para ficar sóbria e inteira
Com o mundo ao meu redor
Sem uma rosa que se queira
Sem um sol que permeia
Minha própria insignificância
De lua cheia
E o pano me cobriu
Eu que sou meia
E a saia rodou
Da brancura para a areia
A luz que fica é a que semeia
Mares e lagos que se enchem
De sereias
Canto da noite que me espreita
Faça com que me esqueça
Do sonho que sou
Da paz que me condena

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