de Ticiana Vasconcelos Silva
Vi um pano vermelho estendido
Ele tinha mais de cem mil anos
Vi uma mulher de saia branca
Andava ao lado do filho
Eles tinham a vida
Nada que eu veja é real
São imagens
Fico tentando descobrir
Se o que vejo sou eu mesma
Saber que sou tão velha
Quanto uma pele que se queima
Saber que a vida é maior
Que o azul em uma abelha
Com a coragem de chorar
Para ficar sóbria e inteira
Com o mundo ao meu redor
Sem uma rosa que se queira
Sem um sol que permeia
Minha própria insignificância
De lua cheia
E o pano me cobriu
Eu que sou meia
E a saia rodou
Da brancura para a areia
A luz que fica é a que semeia
Mares e lagos que se enchem
De sereias
Canto da noite que me espreita
Faça com que me esqueça
Do sonho que sou
Da paz que me condena