por Carlos Castelo
Muitas celebridades vendem automóveis, perfumes, apartamentos com varanda gourmet. Roberto Justus, não. Justus vende a ideia de que até a pressão alta pode ter acabamento em mármore italiano. Ei-lo, solene, escovado, reluzente, transformando um plano de saúde, categoria Black, em senha de ingresso ao paraíso dos muito bem assessorados.
É a medicina de colarinho engomado. Não basta adoecer: é preciso adoecer com classe. O enfarte, se vier, que venha de smoking. A gastrite, ao menos, que tenha concierge. O sujeito não quer um médico; quer um cardeal da cirurgia, um semideus do check-up, alguém que lhe ausculte o peito feito quem avalia um quadro de Modigliani. E, se houver reembolso, que seja rápido, porque o sofrimento da elite tem horror à fila e pavor de boleto em aberto.
Justus ficou perfeito nesse papel. Tem a compostura de quem já nasceu com segunda opinião médica e a serenidade de quem jamais aguardou numa recepção de hospital com televisão ligada na novela errada. Ele não anuncia um plano. Proclama uma fantasia nacional: a de que dinheiro, além de comprar conforto, pode constranger a própria mortalidade.