8:00O blindado da vez

por Lea Oksenberg, do Vigilia Comunica

Como os bancos e os jornalões escondem a sujeira dos poderosos

Sabe aquela história de que “quem não deve, não teme”? Vimos gente digna provar sua inocência e recusar a tornozeleira dizendo: “Não aceito, não sou pombo-correio”. É a cabeça no travesseiro com a consciência limpa. Mas, no Brasil do andar de cima, a régua é outra. Hoje, o Banco Master protagoniza uma trama de corrupção sistêmica enquanto a grande imprensa e os jornalões mantêm um silêncio cúmplice. É o blindado da vez.
Enquanto a justiça de Curitiba, sob a batuta de Sérgio Moro, montava espetáculos midiáticos para perseguir quem defendia o povo, agora que o esquema envolve cifras bilionárias, a mordaça é geral. Esse banco, que cresceu do nada nos corredores do poder, chega ao extremo de instrumentalizar a fé alheia para camuflar o rastro do dinheiro. É uma profanação: usam a esperança das pessoas e o peso do capital como escudo para a própria impunidade.
Esse povo do andar de cima, que se julga proprietário do Brasil, é o mesmo que financiou ataques à nossa democracia e agora se esconde sob o corte impecável de ternos caros. Para o pobre, a lei é o rigor do aço e a polícia na porta; para o banqueiro sócio do sistema, a lei é um café nos bastidores. A grande mídia, que deveria ser o cão de guarda da sociedade, virou o segurança particular do cofre.
O que assistimos não é apenas um crime financeiro, é um sequestro da verdade. O sistema não está quebrado; ele funciona exatamente como foi projetado: para blindar o bolso do patrão e sufocar a voz de quem exige justiça. No fim das contas, a pergunta que fica não é “quando a justiça virá”, mas sim: quem pagou pelo silêncio dela?

A burguesia fede A burguesia quer ficar rica Enquanto houver burguesia Não vai haver poesia (Cazuza)

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4 thoughts on “O blindado da vez

  1. Jose.

    “montava espetáculos midiáticos para perseguir quem defendia o povo” ?????
    Só para lembrar: lula não foi inocentado.

    E quem não quer a CPMI do banco Master é justamente a gloriosa esquerda, a tal que “defende o povo”, aliás a mesma que fez de tudo que ara que não houvesse investigação nenhuma da roubalheira do INSS.

    Em tempo: no caso do Banco tem ex ministro dos governos lula e dilma, além do “guerreiro da democracia” do stf e também um ex advogado do pt que agora está no stf também, ainda.
    Esse povo não cansa de falar besteira…

  2. Lea Oksenberg

    É fascinante observar como o conceito de “defender o povo” é elástico para alguns. Se a prioridade fosse mesmo o interesse público, não haveria esse esforço hercúleo para enterrar a investigação da roubalheira no INSS. Ali, o alvo do saque foi justamente a parcela mais vulnerável da população, mas parece que, para a “gloriosa esquerda”, o bem-estar dos aposentados é um detalhe irrelevante quando os interesses dos companheiros estão em jogo.
    A verdade é que essa indignação seletiva só funciona para quem ignora a diferença básica entre ser absolvido e ser beneficiado por uma anulação processual por “erro de endereço”. No teatro político atual, o que vemos é uma coreografia ensaiada entre ex-ministros, “guerreiros da democracia” e advogados que trocaram a beca pela toga, todos unidos pelo pânico de uma CPMI do Banco Master. No fim das contas, a tal defesa do povo termina exatamente onde começa o prontuário dos amigos: quando o assunto é o dinheiro dos outros, ninguém solta a mão de ninguém — e todos seguram a mesma alça da mala.

  3. Segue

    Dona Oksenberg.
    Quem votou contra o relatório da CPMI foi o PT.
    E alguns defensores DP povo…. votaram com o Careca do INSS
    Pelo Careca e Lula filho.

  4. Jose.

    E não tem nada a ver com “burguesia”, “direita” ou “esquerda”.
    O que vemos é o retrato da sociedade que se acostumou com as falcatruas e principalmente com a impunidade.
    Tem muito mais escondidos embaixo dos tapetes dos três poderes, mas não interessa a nenhum dos três lados (esquerda, direita e centrão) que a verdade seja mostrada.
    E aí sim, a mídia tem grande responsabilidade, por omissão, por escolher lados, aceitar censuras e não querer mostrar a verdade.

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