6:36Foz do Iguaçu e o novo Porto Seco

Assim veio:

Novo Porto Seco tornará Foz do Iguaçu o maior hub logístico rodoviário da América Latina

O porto terá capacidade para receber 2 mil caminhões por dia, 30% a mais do que o terminal em operação.

Ainda em 2026, devem ser concluídas as obras do novo Porto Seco de Foz do Iguaçu, o maior da América Latina, localizado na saída da cidade, às margens da BR-277. Com 550 mil metros quadrados de área, o terminal ampliará a capacidade de comércio na tríplice fronteira — entre Brasil, Paraguai e Argentina — e ainda ajudará a desafogar o trânsito na área urbana de Foz do Iguaçu, onde está localizado o atual Porto Seco.

O Porto Seco faz parte das grandes obras estruturantes já concluídas ou em desenvolvimento, como a Ponte da Integração e a Perimetral Leste, que ampliam a relação com os dois países vizinhos, além da duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469), que representa um avanço considerável para o desenvolvimento do turismo na região, já que permite acesso mais fácil ao Aeroporto Internacional e ao Parque Nacional do Iguaçu, e também a outros atrativos muito procurados pelos visitantes, como o Parque das Aves, o Marco das Três Fronteiras e o Dreamland Museu de Cera.

O prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna, visitou na quinta-feira (19) as obras do Porto Seco e afirmou que o projeto “representa uma mudança de patamar na mobilidade e no transporte de cargas na nossa cidade e região, com grande potencial de fomentar o comércio internacional. Essa obra demonstra a confiança do setor privado em investir em Foz do Iguaçu”, destacou .

A empresa Multilog, uma das maiores operadoras de logística integrada do Brasil, está investindo R$ 550 milhões nas obras do Porto Seco. O projeto conta com apoio do Governo do Estado e da Receita Federal. Quando entrar em operação, o terminal deverá gerar 250 empregos diretos e permitirá a ampliação das operações logísticas e do comércio exterior entre Brasil, Paraguai e Argentina.

Ao lançar a pedra fundamental do projeto, em agosto de 2025, o governador Carlos Massa Ratinho Jr. destacou que o empreendimento “é um marco para a logística paranaense e brasileira, que vai trazer muito mais eficiência no escoamento e na entrada de cargas no Paraná, facilitando o comércio exterior e a fiscalização na tríplice fronteira”.

Para o General Silva e Luna, “Foz do Iguaçu vive um momento histórico. Estamos deixando de ser apenas um destino turístico internacional para nos consolidarmos como um dos principais centros logísticos do continente. O investimento no novo Porto Seco posiciona nossa cidade como protagonista no desenvolvimento econômico do Brasil e do Mercosul”, afirmou. Ele lembrou, porém, que os investimentos em infraestrutura não se resumem à macroeconomia. “Quando investimos em infraestrutura, estamos gerando emprego, renda e oportunidades. É desenvolvimento que chega de forma concreta para a nossa população”, disse.

O presidente do grupo Multilog, Djalma Vilela, afirmou que “este não é apenas um porto seco, mas um projeto de transformação logística. Estamos implantando uma estrutura com padrão internacional, capaz de atender a uma demanda crescente e tornar o Brasil mais competitivo no comércio exterior”. Ele complementou: “Foz do Iguaçu tem uma localização estratégica única. Nosso objetivo é transformar essa vantagem geográfica em eficiência logística e desenvolvimento econômico”.

A previsão é de que o novo terminal duplique a capacidade do atual Porto Seco, que, por sua vez, registrou movimentação histórica em 2025, de R$ 9,7 bilhões, superando os R$ 8,6 bilhões em 2024. Passaram pelo terminal 215 mil caminhões — 11,65% a mais que no ano anterior — e 5,15 milhões de toneladas de cargas foram processadas.

O projeto

Com previsão de conclusão em dezembro deste ano, o projeto do novo Porto Seco prevê a aplicação de R$ 240 milhões na implantação do pátio de caminhões. O projeto inclui também uma área coberta para armazenagem, vistoria e câmaras frias, com docas exclusivas para produtos que exigem controle de temperatura. Serão 197 mil metros quadrados de pátios, 7,2 mil metros quadrados de área coberta para armazenagem e vistoria e 600 metros quadrados de câmaras frias, com três docas exclusivas.

O complexo contará com equipamentos de última geração, como balanças rodoviárias, scanners para inspeção não invasiva e modernos sistemas de vigilância por câmeras, atendendo aos requisitos de segurança alfandegária. Os acessos serão automatizados, com sistemas de pesagem e identificação de veículos, incluindo estrutura específica para cargas com dimensões excedentes. O projeto também contempla áreas de apoio aos motoristas, com espaços internos e externos equipados com sanitários, áreas de descanso e estrutura para permanência segura e confortável.

A Multilog planeja ainda construir no local um terminal de contêineres para absorver parte da carga paraguaia que hoje é escoada pelo Porto de Montevidéu, no Uruguai, passando então a ser movimentada pelo Porto de Paranaguá. “A distância entre Assunção e Paranaguá é 400 quilômetros menor do que em relação a Montevidéu. Por isso, apostamos na construção de um terminal de contêineres para atender a essa demanda”, explicou o diretor da Multilog, Djalma Vilela.

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