de Carlos Castelo
§ No dia em que o deputado Nikolas se preparava para libertar o povo com palavras inflamadas, a Mãe Natureza decidiu que também tinha algo a dizer. E disse. Com um estrondo, um clarão e uma pontaria que faria inveja a um sniper: um raio caiu bem no meio de sua festa, deixando feridos e caos. Enquanto o povo corria sob a chuva, o deputado surgia como Moisés descendo do palanque, alheio ao fato de que uma parte da plateia havia sido frita como pastel de feira. Não mencionou o raio. Nem uma palavra. Talvez achasse que foi uma metáfora divina a seu favor, um editorial celestial contra os comunistas. Os bombeiros, esses sim, discursaram com ação: tendas, macas, sirenes. O raio, ao menos, teve mais impacto que o discurso. Foi sincero, direto, e sem promessas vagas. Ao final, muitos saíram molhados, outros chamuscados, mas todos com uma certeza: entre o trovão e a retórica, ao menos o raio não mente.
O Carlos é aquele que dá cursos sobre a produção de textos literários?
Vade retro… Putzgrila.