do Analista Político
Em Guarapuava, a meritocracia ganhou um conceito inovador na gestão do prefeito Denilson Baitala (PL). A carta de demissão do agora ex-secretário de Saúde, Márcio Brunsfeld, caiu no colo do executivo municipal não como um pedido de desligamento, mas como um verdadeiro dossiê de “sincericídio” administrativo.
Segundo o relato explosivo de Brunsfeld, o paço municipal parece operar em uma realidade paralela. O caso mais emblemático — e escandaloso — envolve uma servidora exonerada por furar a fila do SUS que, dias depois, foi readmitida em um cargo superior. Pelo visto, na atual gestão, a punição para o desvio ético é a promoção funcional.
Mas a “farra” não para na gestão de pessoal. Enquanto a saúde básica clama por insumos, a prioridade da prefeitura seria transformar as unidades de saúde em salas de cinema: Brunsfeld travou uma compra de R$ 700 mil em televisores e totens informativos. A recusa em assinar o cheque custou seu cargo, mas, por ora, salvou o bolso do contribuinte de um luxo injustificável.
Para piorar, o ex-secretário desnudou uma cegueira ideológica preocupante. Guarapuava estaria rejeitando verbas federais simplesmente porque o prefeito prefere deixar a população desassistida a aceitar recursos com a assinatura de Brasília. A saúde não tem partido, mas a incompetência administrativa parece ter escolhido um lado bem claro.
O saldo final dessa implosão é que a carta de Brunsfeld serve como um roteiro pronto para o Ministério Público. Se metade do que foi escrito for provado, a gestão Baitala, que prometia ser nova, já nasce com o prazo de validade vencido.
Salvo engano, a prefeitura de Guarapuava é comandada por Artagão de Mattos Leão Júnior. Olhem os secretários municipais e chefes de autarquias: a maioria saiu do gabinete de Artagão para a Prefeitura.
O VEREADOR PROFESSOR PABLO PROTOCOLOU REQUERIMENTO DE CPI. VAMOS VER O CIRCO PEGAR FOGO. ESPERO QUE O MP-PR NAO SE OMITA. GEPATRIA E GAECO DEVEM DEFLAGRAR OPERAÇÃO PARA ENTENDER A SITUAÇÃO DE MANEIRA TÉCNICA E ABRANGENTE. APÓS AS INVESTIGAÇÕES, SE FOR O CASO, CONSOANTE O QUE O DOUTO PODER MINISTERIAL ENCONTRAR, PROMOVER DENÚNCIAS E LUTAR PARA ENCARCEIRAR QUEM QUER QUE EVENTUALMENTE TENHA COMETIDO CRIMES. E NAO ESQUEÇAM: SEMPRE TEM GENTE GRAÚDA POR TRÁS DESSES ROLOS. MUITOS DELES ESTACIONADOS NO CENTRO CÍVICO.
Foi uma pena o Dr. Rui perder a eleição em Guarapuava.
É que embora o coronelismo em sua forma clássica, rural e arcaica tenha desaparecido com o avanço da urbanização e a modernização da legislação eleitoral, o conceito de dominação política por meio da influência e do clientelismo persiste, mas adaptado às estruturas modernas de poder.
1. Clientelismo e Troca de Favores: A prática de garantir apoio por meio da oferta de cargos (empreguismo), da distribuição de benefícios e da influência na alocação de recursos (os “padrinhos” garantindo investimentos estaduais/federais) é uma releitura moderna do clientelismo.
2. Concentração de Poder: Em vez de ser dominado por um latifundiário, o poder político local pode ser influenciado por grandes grupos econômicos, famílias tradicionais ou fortes lideranças partidárias e regionais (como o deputado Artagão Júnior), que atuam como os novos “coronéis urbanos” ou “caciques”. Eles detêm o capital político e financeiro necessário para eleger e manter aliados no poder, reforçando a ideia de que o voto da população é, em parte, um voto dirigido ou de gratidão (obrigação moral pela troca de favores ou benefícios prometidos/entregues).
3. Dependência e Hierarquia: O prefeito, nesse contexto, pode ser visto como um elo na cadeia hierárquica de poder, dependente dos seus “padrinhos” de nível estadual e nacional para obter recursos e viabilizar projetos, garantindo assim sua capacidade de atender às demandas locais e manter o controle político.
Em suma, a influência dos “padrinhos” de Baitala reflete uma política que, embora legalizada, carrega traços do clientelismo e da concentração de poder que eram centrais ao antigo coronelismo, mostrando a persistência de estruturas que garantem a dominação política por meio da hierarquia e do acesso privilegiado a recursos.
O ex-secretário Brunsfeld participou nesta sexta-feira (05/12/2025) do Hardcast e reforçou que já encaminhou diversas provas ao Ministério Público sobre problemas na pasta, como um esquema de fura de filas no atendimento e a recusa da Prefeitura no recebimento de recursos estaduais e federais, por motivos políticos e ideológicos.
Em sua participação no podcast, o ex-secretário apontou o nome de dois secretários municipais que estariam o pressionando a assinar contratos de alto valor para despesas desnecessárias, como aluguel de equipamentos de TV para postos de saúde, enquanto o orçamento não dava conta de suprir sequer a demanda de remédios nos postos de saúde.
Curiosamente estes secretários são Rafael Markus, da Comunicação e Luciano Crotti, Finanças, ambos de fora de Guarapuava que assumiram o cargo por indicação do deputado estadual Artagão Júnior (PSD).
Seria Rafael Darlan Markus uma espécie de Luiz Abi do terceiro planalto?