por Carlos Castelo
§Caiu o general Heleno. Não num campo de batalha heroico, mas na armadilha do próprio delírio.
Augusto Heleno, o maestro do golpismo de gabinete, ganhou um novo posto hierárquico: preso.
A farda, outrora símbolo de autoridade, agora serve de pijama no alojamento climatizado da vergonha. O Exército, em sua eterna tentativa de parecer digno, preparou para ele uma cela que mais parece um flat funcionalista: banheiro, ar-condicionado, talvez até um tapetinho com a frase “Lar, doce cela”.
O homem que outrora ameaçava a democracia com olhos de carcará, agora divide espaço com as consequências. A ironia é tão espessa que dá para cortar com baioneta: o defensor da ordem institucional condenado por tentar subvertê-la. É como ver um bombeiro preso por ser piromaníaco.
A Justiça, com seus passos de tartaruga e suas pausas dramáticas, finalmente puxou o tapete debaixo do coturno. Metade dos eleitores assiste com aquele prazer que só a queda dos arrogantes proporciona.
Se Heleno imaginava a História como uma parada militar onde ele comandava os tambores, errou a partitura: hoje toca surdo na banda dos enjaulados.
E o Brasil, este eterno teatro de absurdos, aplaude em silêncio polarizado.