O AMOR
Quando o amor desce à cabeça
Não há santo que desfaça o quebranto
Como a mais doce magia ilusória
Que confunde a realidade com a verdade
O amor sempre vem bem vestido à tarde
E, pelo cupido, vai nos consumindo
A razão desse sentimento
É estar por inteiro para beijar
Com lábios secos e sedentos
Cuja saliva é um mar de coragens
(O amor realmente é uma miragem)
E pelas intensidades se faz em idades
Que não serão mais contadas cronologicamente
Mas pelos momentos em que estamos
Ébrios ou sãos do amor
Buscamos unir corações e mãos
Que são símbolo dessa condição de amar
E nos perdemos do caminho
Que levaria ao ponto mais elevado da alma
Para vivermos o que não se pode conter
Uma doçura, uma ilusão, uma disposição
De se estar junto e sem assunto
Apenas o ar que respiramos
Apenas o olhar em que choramos
A despedida, a partida
O amor, em partes, sabe dele mesmo
Em artes é o segredo
E em segundos se transforma no mundo
Ah, como é belo e singelo
Como verdadeiro elo
Como o azul no amarelo
Tão imenso e tão pequeno
O amor é mesmo estranho
Traz ventanias e transpõe todos os muros
Se torna escudo no escuro
Se torna tudo ou nada
É para quem ousar decifrá-lo
Mas para usá-lo, basta escrever a palavra
Que termina com o que nunca acaba: o amor