6:42LEROS

de Carlos Castelo

§ O Brasil insiste em nutrir uma fixação patológica pelo Oscar. Ano após ano, nossos cineastas mandam longas para a Academia na esperança de que os patronos de Hollywood finalmente reconheçam o talento verde-amarelo. Porém, como o marido traído que finge não ver as mensagens suspeitas no celular da esposa (ou vice-versa), seguimos iludidos, fingindo que um dia tudo será diferente.
Mas sejamos honestos: ganhar um Oscar com nossos filmes atuais é como querer vencer uma corrida de Fórmula 1 pilotando um DKW 1965. A última glória veio com Central do Brasil, um filme que conseguiu emocionar ligeiramente os jurados. E já faz um bom tempo.
Tirando Ainda Estou Aqui, qual seria o segundo na lista de possíveis indicados ao Oscar? Silvio? A cinebiografia que mais parece um comercial de duas horas do Baú da Felicidade? Tudo bem, o filme certamente tocaria alguns corações — se a Academia estivesse interessada em premiar o melhor cosplay cinematográfico de um apresentador de auditório. Mas será que Silvio realmente teria chances de pisar no tapete vermelho?
Ao fim e ao cabo-man, a verdade é que Hollywood vê o cinema brasileiro com o mesmo entusiasmo que um napolitano vê um rodízio de pizza: um exotismo divertido, mas que nunca será levado a sério. Resta-nos, portanto, seguir na nossa vocação genuína: fazer cinema para nós mesmos, sem a obsessão de agradar a um grupinho de engravatados que acham que o Brasil é uma floresta com mulatas sambando à beira mar. Se é para ser ignorado, que seja com dignidade. E uma boa feijoada.
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