18:00Anel de ouro no dedo da mão direita

de Zeca Corrêa Leite

Te vi entrando no cemitério com um vasinho de violeta cor de violeta, roxa, cor de dor e tortura. Na mesma hora o anel de ouro brilhou intenso no dedo da mão direita, dourado que me cegou. Por que achei de passar na pracinha naquele momento? Por que olhei pro portão do cemitério, por que pensei em atravessar a rua e comprar pipoca do pipoqueiro que estava ali perto? Pior que tudo: por que te vi chegando, vasinho de violeta, anel de ouro na mão direita?Estaquei.
Sem saber direito o que fazer pedi um saquinho de pipoca, a tarde estava quente, quieta, calma. Enquanto comia, te via lá no fim da alameda, pegando o caminho à direita, entre túmulos e cruzes. Imaginei você chegando no túmulo do Darcy, depositando o vaso junto às flores de plástico que tem ali, acendendo vela, chorando. Arrependida do anel de noivado. Foi o que pensei, mergulhado na minha dor, o anel de ouro ardendo em meu dedo da mão direita.

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