18:20ZÉ DA SILVA

Claro que ele tinha experiência em duas rodas. Primeiro, com o patinete que fez com madeiras de uma cama achada no terreno baldio – e rolimãs. Descia uma pirambeira asfaltada com mais de um quilômetro. O freio era uma sola de borracha. Depois, a bicicleta que comprou com o dinheiro de gorjetas que ganhou num boteco onde adorava ouvir histórias de manguaceiros. Então subiu na moto, ligou, engatou a primeira e… Ela empinou e percorreu uns cem metros em uma roda só, até acertar e derrubar um muro inteiro. O dinheiro do primeiro pagamento foi para o conserto da máquina, uma “noventinha”. O muro não custou nada. Teve sorte. Ia ser demolido. Muitos e muitos anos depois comprou a motona. Azul. Quase mil cilindradas. Quase não anda com ela. Uma voltinha na quadra sossegada, para esquentar o motor. O que gosta mesmo é de olhar a tal – ela sempre com as duas rodas no chão.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.