de Carlos Castelo
A UNHA E A RAINHA
É claro que não conheci Elizabeth II. Mas me lembro bem do dia em que ela veio a São Paulo para inaugurar o MASP. Foi numa sexta-feira, 8 de novembro de 1968.
Eu estava na quinta série, num colégio que beirava as obras do que seria a avenida 23 de maio. Naquele local, eu e mais alguns colegas, costumávamos bater uma bolinha no chão de terra. No recreio, descíamos um morro íngreme, ao lado do atual viaduto Engenheiro Antônio de Carvalho Aguiar. Nunca tivéramos problemas ali. Dávamos nossos chutes e, quando batia o sinal, retornávamos à base. No dia em que Beth passou de Rolls Royce pela cidade, as coisas azedaram para o nosso lado. Vieram um monte de funcionários da obra e nos botaram para correr. Creio que por ordens superiores, a fim de deixar tudo nos conformes para a passagem de Sua Alteza. A coisa não foi nada amistosa, me lembro inclusive de, no afã de subir o morro de volta à escola, ter perdido uma unha da mão. É natural que o desagradável episódio tenha ficado marcado como algo ligado a Sua Majestade. Sempre tive antipatia pela figura de Beth. A coisa piorou quando, já adulto, visitei o castelo de Windsor. A ala gigantesca, reservada à sala de brinquedos da nobre menina, me deixou perplexo. Nunca me esqueci de uma boneca, presenteada à ainda princesa por um marajá indiano, cujos olhos eram de diamantes. Coisa de filme do Chucky. Beth representava povos que desejam ser governados pela aristocracia. Não admiro, porém, aceito. Mas perder minha unha por causa da matusalênica senhora, além de não aceitar, ainda esconjuro.
JOVEM APRENDIZ
Aos 73 anos, príncipe Charles começa hoje em seu primeiro emprego.
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