Um eterno bater em portas. Do outro lado, sempre o silêncio. Ainda bem que ninguém abre. O demônio abriu uma vez – e fechou rapidamente. Desconfio que do lado de cá também não exista gente, como não há anjos com harpas tocando logo ali. No dia em que saí do minúsculo banheiro no quintal do cortiço, e um galo nasceu e cantou na cabeça depois da queda, foi que prestei atenção nas portas da vida. As da percepção, o Castañeda não conseguiu me ensinar. A saída pela saída – e entrada no sem saída. Alucinação boa mesmo vem com as bolinhas da água com gás. Elas rasgam a alma e a gente tem a sensação da Coca-Cola, mas sem risco de corroer tudo goela abaixo. Insisti em bater na porta e não sabia se estava sonhando ou se era tudo um pesadelo porque a televisão ficou ligada ao pé da cama – e ela é do tipo que esquenta, como as do tempo da válvula. Lembrei então que no passado uma pegou fogo dentro de casa. Chorei porque me senti culpado de estar assistindo. Seria Rim-Tim-Tim? Foi na hora do toque de corneta para a entrada do tenente Rip Masters? A água gelada da ducha bateu na nuca. Por precaução, deixei a porta aberta. Para não ouvir alguém batendo e perguntando: “Você está bem?