Um curioso e por dentro do assunto leu a entrevista de Carlos Ghosn ao Estadão. Pinçou o seguinte trecho que interessa aos paranaenses para, depois, comentar:
– E o caso da contratação da sua irmã para ajudar a levar a fábrica da Nissan do Rio de Janeiro, que levou a um processo de enriquecimento ilícito contra ela? O que ocorreu?
– Nada. A minha irmã (Claudine Bichara) era presidente da Câmara do Comércio Franco-Brasileira. Ela mora no Rio de Janeiro, conhecia todo mundo. Eu precisava de pessoas competentes no Rio para ajudar na instalação da fábrica. E eu pedi ajuda. E não posso pedir para ela trabalhar de graça para uma empresa. Falei com dois membros do conselho de administração da Nissan, o presidente do projeto no Brasil também sabia que ela estava participando. Fizemos um contrato baseado (na remuneração) de uma pessoa desse calibre fazendo esse tipo de trabalho.
Olhando para trás, o sr. acha que, nesses dois casos, houve uma mistura entre o profissional e o pessoal que não era necessária? O sr. faria diferente?
Francamente, não. Claramente (esses casos) estão sendo usados para mostrar que eu estava usando da minha posição para motivos pessoais. Claudine trabalhou, ajudou e todas as pessoas sabem disso. Não foi um dinheiro que ela ganhou sem fazer nada. Se eu quisesse empregar pessoas da minha família, teria centenas de pessoas – ninguém entrou na Nissan nem na Renault. Mas eu avisei pessoas da Nissan que iria contratá-la. Agora, você sabe, quando tem um problema desse tipo, todo mundo desaparece. De repente não tem mais testemunhas.
Entende-se, com a entrevista do ex-presidente mundial da Aliança Renault/Nissan, o suce$$o do desejo dele de levar a fábrica da Nissan do Paraná para o Rio de Janeiro – e para Resende, onde tem parentes, além das mamatas de ICMS e Taxas ofertadas por Sérgio Cabral, o ex-governador preso tal qual o entrevistado estava no Japão antes de fugir ao Líbano. O Paraná era preferido das duas diretorias brasileiras da Renault e Nissan, mas o franco/libanês/brasileiro queria que ela fosse carioca. Agora, no local preferido das fugas, ele, como bom francês arrogante que é, se coloca à disposição dos políticos libaneses, para ajudar a levantar o país. Só falta mesmo encontrar-se com o “brimo” Luiz Abi.
Engraçado. Quando Carlos Goshn era o todo-poderoso executivo que salvou a Nissan e incorporou a Mitsubishi, era tratado pela mídia como o brilhante CEO brasileiro. Agora, segundo o redator do texto acima, foi transformando em francês arrogante….
O que sr. pode falar mais sobre a falta de apoio do governo brasileiro no seu caso? É uma coisa que te incomodou?
Eu tinha muita esperança, porque em um certo momento o presidente Jair Bolsonaro ligou para minha irmã, Claudine, e disse palavras de apoio. E foi o Paulo Guedes (ministro da Economia) que nos ajudou muito (na aproximação com o Bolsonaro). Nós conhecemos o Guedes há muito tempo. Mas, em certo momento, quando o presidente Bolsonaro veio para o Japão, eu não ouvi nada. Ele disse à imprensa brasileira que, durante a visita, não falou do meu caso porque não quis incomodar os japoneses. Então foi uma decepção da minha parte. Mas entendi que a posição do presidente, que no início foi de compaixão e ajuda, foi influenciada pelo Ministro das Relações Exteriores (Ernesto Araújo), que disse para ele não aborrecer os japoneses. É uma pena. Foi a opinião dele que prevaleceu. É uma pena. Eu sou um cidadão brasileiro – e o cidadão brasileiro frente aos japoneses não conta muito.
Políticos libaneses têm falado muito em o sr. ajudar o governo. Quem não tem uma empresa pode se contentar com um país?
Eu não vou fazer política. Não vou pedir ou aceitar qualquer cargo oficial, mas tenho um know-how que pode ajudar o país agora. Então estou pronto a colocar esse know-how à disposição de políticos responsáveis para ajudar a retomar o caminho de crescimento do país.
RESPONDIDO, OTTO VON LINDINHO?