Arquivo mensais:setembro 2022

7:28Greca, Alvaro e o alinhamento

Rafael Greca gravou vídeo em apoio à reeleição de Alvaro Dias. O prefeito de Curitiba é do PSD, partido do seu vice Eduardo Pimentel e, principalmente, do governador Ratinho Junior, que tem como candidato ao senado o deputado federal Paulo Martins. Se alguém acha que no lado escuro da lua aconteceu algum tipo de atrito ou algo parecido… errou. Está tudo bem alinhado – e se alguém perguntar há uma resposta pronta: Greca só gravou um agradecimento. Não pediu voto. Isso é política!

7:20MILLÔR

Vejo todo dia lamentos compungidos pela morte de certas personalidades políticas de quem, a rigor, o país deveria lamentar o nascimento.

Você conhece; uma dessas pessoas com quem se convive algum tempo e depois se lamenta que ela não possa ser de novo completamente estranha.

7:10Você conhece o isentão?

por Lygia Maria

Na disputa messiânica que se transformou a política brasileira, ele é o ateu e foi parar na fogueira

Quando todos começam a tomar partido, quem não toma geralmente é mal visto. Nas eleições esse fenômeno se escancara: quem vota nulo é criticado e recebe a pecha de “isentão”. Nas redes sociais, conversas de botequim e almoços em família, vê-se o mesmo tipo de ataque, como esta postagem de um famoso jornalista no Twitter: “Isentos são cúmplices morais de assassinos”. Ou seja, caso Bolsonaro vença, a culpa é do “isentão”.

Curiosa essa visão de que voto nulo decide eleição. Na última eleição, por exemplo, seria necessário que todos os votos brancos e nulos fossem para Haddad para que ele pudesse vencer. Mais estranha ainda é essa ideia de que o eleitor seria obrigado a votar, mesmo que as opções disponíveis contrariem princípios que lhe são caros.

Se o objetivo é convencer o eleitor a votar no candidato X, deve-se partir desses princípios, em vez de fazer chantagem emocional através de discurso moralista. Ou seja, na verdade, o intuito mesmo do ataque ao “isentão” é apenas sinalizar virtude: “Vejam como somos superiores a essa gente alienada que não vota”.

Esse mecanismo é similar ao do embate religioso: quem não crê em nada é mais repudiado do que o crente radical. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo de 2009 mostrou que, de 14 grupos sociais, ateus e usuários de drogas são os mais odiados no Brasil, com 17%, seguidos por garotos de programa e transexuais (10%). Em 10º lugar, “gente muito religiosa” teve só 5%.

Tão pernicioso quanto deixar a religião comandar a política é tratar a política como religião. Porém é o que temos visto nos últimos anos: os candidatos dos dois polos políticos são tratados de forma messiânica, como epítomes do bem na luta contra o mal. Daí o tratamento dado ao “isentão”, esse ateu da política, repudiado por seguir sua consciência e manter sua integridade. Qualidades que deveriam ser valorizadas como estratégia discursiva na hora de convencer o eleitor. Afinal, ninguém gosta de ser chamado de assassino.

*Publicado na Folha de S.Paulo

7:03NELSON PADRELLA

  • Qualquer imbecil sabe disso – declarou o rapaz. Pois eu não sei – respondeu o outro. O rapaz continuou: E nem poderia saber. Você não é qualquer imbecil. O outro se emocionou. O rapaz encerrou explicando: Você é um baita de um imbecil.
  • Quando Matusalém completou quinhentos anos, os pais deram uma festa, com bolo de aniversário e tudo. Só não tinha velhinhas porque naquele tempo tudo era novinhas.

6:55Caderno C

de Carlos Castelo

PÉRIPLOS

Viajei bastante. Penso, no entanto, que minhas melhores rotas foram através de leituras. Trotei mundo, e até outros universos, com a ajuda dos livros. Se quiser voltar a esses lugares, basta ir até minhas estantes e dar um replay em determinado périplo. Ou, como escreveu Mário Quintana: “Conhecer o mundo não adianta nada: as viagens apenas complicam a ignorância”. Taí algo positivo numa pandemia.

MALHAINAÇÃO

Num passeio de carro pelas gélidas avenidas paulistanas, vi dezenas de jovens correndo, pedalando, malhando. Na volta ao apartamento, no monitor do elevador, anúncios do professor Silas e da preparadora Suzete sobre suas aulas de aeróbica. Na TV, lives de levantamento de peso. No pain, no gain. Só em corpore sano há mens sana. Não discordo, de forma alguma. O problema é que o pessoal treina, treina, mas nunca entra no jogo para virá-lo. No mais, espírito olímpico é bom e eu gosto.

MALEMOLÊNCIA

Com o fim da datilografia, a literatura perdeu a ginga do batuque afro.

 

 

19:17Dalton Trevisan, um ruminante do estilo

por Elvia Bezerra*

 Dalton Trevisan (à esquerda) e Otto Lara Resende: escritores trocaram cerca de 600 cartas ao longo de 36 anos. Fotos: Acervo MS

Em outubro de 2020 o escritor paranaense Dalton Trevisan confiou ao IMS as cerca de 600 cartas de que se compõe sua correspondência com Otto Lara Resende. Já chamava atenção das arquivistas a soma de 336 cartas escritas pelo curitibano, e, como guardasse cópias, juntou-as às recebidas e as incluiu na doação, o que dobrou o volume de itens. É, de longe, o interlocutor mais copioso do acervo do Otto epistolar. Abaixo dele vêm Fernando Sabino e Carlos Castello Branco, que não chegaram a enviar duas centenas de cartas, cada um.

Nascido em Curitiba em 14 de junho de 1925, Dalton Trevisan formou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná, exerceu a advocacia durante alguns anos e iniciou a carreira de escritor com dois livros que renega textualmente: Sonata ao luar (1945) e Sete anos de pastor (1948). Sua estreia oficial é com Novelas nada exemplares (1959), coletânea de contos sobre a qual trocará ideias com Otto, como se verá adiante.

Os dois conheceram-se por volta de 1955, na casa de Fernando Sabino, no Rio, onde Dalton encontraria os “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse”, ocasião em que, estranhamente, lembra ele, Otto, grande contador de casos, foi o que menos falou.

Àquela altura, ambos tinham estreado, embora, como se afirmou aqui, Dalton renegasse a obra publicada até então. Tratava de escrever os contos das Novelas nada exemplares, e Otto, já autor dos contos de O lado humano (1952), preparava-se para lançar os de Boca do inferno (1957), livro em que a infância é retratada sem a habitual inocência e que lhe renderia críticas severas.

A conversa na casa de Sabino continuou por meio de uma correspondência que se estendeu de 1956 a 1992, ano da morte de Otto, e fundou uma relação de amizade alicerçada em confiança mútua. Confiança no que diz respeito, sobretudo, a opiniões quanto à produção literária de cada um. Referindo-se aos contos de Boca do inferno, Dalton comentara em carta de 14 de fevereiro de 1956: “Vejo nele apenas um conto fraco – ‘Dois Irmãos’. Os demais mantêm nível esplêndido, com o sol de ‘O segredo’ brilhando sobre todos eles. São contos perfeitos e acabados, como se diz em linguagem jurídica, e não trechos de romances”. É o que ficaria provado na edição preparada por Augusto Massi em 2014.

Era impossível que um deles pensasse em publicar um conto sem o submeter à leitura do outro, ainda que tivesse de ouvir opiniões duras que a diferença de estilo de ambos talvez justificasse: o econômico Dalton podia reclamar de excessos no do amigo: “A objeção que eu faria não é a primeira vez que lhe faço: às vezes v. explica demais, para meu gosto, é claro”, escrevia ele a respeito de “Filho de padre”, também de Boca do inferno, na mesma carta. Da parte de Otto, o que acontecia, de modo geral, era que, implacável consigo mesmo e com seus próprios textos, além de revisá-los e alterá-los obsessivamente, culpava-se pelo que julgava defeitos. Não costumava se perdoar; martirizava-se. E como admirasse a concisão do estilo que chamava “daltônico”, detinha-se nos elogios, embora alertasse o amigo para “o risco de acentuar certos temas e certos pormenores”

Continue lendo

18:50Busca e apreensão na casa de Moro encontra versão pirata do PowerPoint

SensacionalistaO jornal isento de verdade

A Justiça Eleitoral ordenou busca e apreensão na casa do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro Sergio Moro.

Um gênio da política, Moro colocou o nome de seu suplente no tamanho menor que o determinado pelo TSE – e, como se não fosse óbvia sua prodigiosa forma de pensar, colocou a própria casa como sede do comitê de campanha.

Moro sempre demonstrou querer um mandato, mas acabou ganhando um mandado. De busca e apreensão.

O ex-juiz disse que a culpa é de Lula. Na verdade, a culpa pode ser de Dallagnol. Moro pediu para ele fazer o design de seu material de campanha, e todos sabem de seu talento no PowerPoint.

18:39NELSON PADRELLA

Qualquer imbecil sabe disso – declarou o rapaz. Pois eu não sei – respondeu o outro. O rapaz continuou: E nem poderia saber. Você não é qualquer imbecil. O outro se emocionou. O rapaz encerrou explicando: Você é um baita de um imbecil.

13:57Vote na pesquisa

Amigo do blog que não suporta mais tanta confusão nessa campanha – e é um gozador de primeira, acha que o problema das urnas eletrônicas se resolveria com a votação nas pesquisas que o eleitor considera as mais confiáveis, não diretamente nos candidatos.

13:20Moro foi de Ratinho Junior

Do Filósofo do Centro Cívico

O ex-ministro Sergio Moro disse que a ‘velha política’ tentou intimida-lo. O Gaiato da Boca Maldita sacou rapidamente o porrete – e baixou: “Mas essa deveria ser do Paulo Martins, que também é candidato ao Senado e cria do Ratinho Junior e Bolsonaro convcto. O Moro vai ser ser acionado por apropriação indébita”.

13:06JORNAL DO CÍNICO

Do  Filósofo do Centro Cívico

Os petistas se esgoelam ao dizer que as Forças Armadas carregam a mancha do que aconteceu nos porões durante a ditadura – e com razão. Mas quando se fala nos esquemas de roubalheira durante seus governos, aí viram para o lado, começam a assoviar o Carinhoso e saem de fininho sem falar nada.

13:04Discurso de Lula sobre corrupção cambaleia após se ajustar a cada momento político

por elipe Bächtold, na FSP

Falas do ex-presidente sobre mensalão e petrolão oscilaram ao longo dos anos com tons diversos

Os discursos e justificativas do ex-presidente Lula (PT) acerca dos dois principais escândalos dos governos petistas, o mensalão e o petrolão, se ajustaram ao longo dos anos e tiveram tons diversos de acordo com o momento político vivido.

Houve uma oscilação do petista entre uma negativa mais explícita de que tenha havido desvios em seus governos até um tom moderado de admitir problemas, sempre com a ressalva de que não sabia dos ilícitos que ocorriam.

No caso do mensalão, chegou a haver um pedido público de desculpas no auge da crise, em agosto de 2005.

No último dia 25, em entrevista ao Jornal Nacional marcada por acenos ao eleitorado de centro, o ex-presidente foi questionado sobre os dois temas. Sobre o mais recente, disse que não há como negar que tenha havido corrupção se os envolvidos no esquema confessaram.

Em relação ao caso nos anos 2000, desconversou e rebateu com uma comparação dos valores envolvidos com as emendas de relator do Orçamento pagas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).

São novas abordagens para duas vidraças que afetam as candidaturas petistas há várias eleições presidenciais.

Continue lendo