Arquivo mensais:setembro 2022

16:46Não dá pra acreditar

O Gaiato da Boca Maldita assiste as propagandas dos políticos que querem se eleger. Tanto que o relê colou e ele mandou essa bala bem endereçada:

Eu acordo todos os dias e penso: tomara que meus filhos estejam bem, puta que sede, hoje tem que pagar o condomínio, tô precisando mijar, ih, tô atrasado, ai que vontade de ficar na cama… Mas juro que nunca acordei pensando: ah, hoje eu tenho que acabar com a corrupção! Por isso não dá pra acreditar num cara desses!

15:46Não é hora de cobrar Lula? Por quê?

por Malu Gaspar, no jornal O Globo

Eleição é para Presidente da República, não para santo

Estamos a poucos dias de um voto para presidente que pode até ser definitivo, dado que as pesquisas de opinião mostram haver chance de Luiz Inácio Lula da Silva ganhar a eleição já no primeiro turno. Nos bastidores da campanha bolsonarista, o desânimo é flagrante, e até os meninos da outrora olavista Brasil Paralelo foram dar uma pinta no jantar de Lula com os empresários.
Pode até ser que nos grotões esteja acontecendo algo diferente e que Bolsonaro esteja ganhando força para virar o jogo e vencer a eleição no segundo turno. Mas o visível, agora, é que as elites do país estão se rendendo a Lula sem dificuldade nem prurido.
Para aqueles que já tinham boas relações com o petismo, o momento é de glória. Nos bastidores do jantar com os empresários, o dono do BTG, André Esteves, e o presidente do conselho do Bradesco, Luiz Trabuco, foram tratados com carinho, como velhos amigos que são.
Outros registraram presença apenas para poder dizer no futuro que nunca foram de fato antilulistas — estavam só defendendo os próprios negócios. Como um integrante do Centrão que me ligou outro dia, às gargalhadas: “Será que você poderia registrar aí que, quando Lula estava preso, eu fui dez vezes a Curitiba, incógnito, gritar ‘bom dia, Lula; boa noite, Lula’?”.
Quem conhece a forma como as placas tectônicas do poder se arranjam conforme a necessidade não tem por que se espantar. Há quase dois anos, Arthur Lira definiu num artigo que o Centrão é uma “força moderadora”, a “quilha da nau da democracia”. Vai ver é isso mesmo, e talvez seja o caso de comemorarmos.
Não fosse o Centrão o que é, poderíamos ter uma crise de grandes proporções com a chegada de Lula ao Planalto, uma revolta da maioria parlamentar conservadora contra um esquerdista em minoria.
Como o Centrão é o que é, muito provavelmente o que se verá em Brasília, uma vez proclamado o resultado das urnas — agora ou no segundo turno —, será uma acomodação. Para que seja razoavelmente tranquila, dependerá apenas de que se acerte quanto custará.
Não é mais novidade, nem chega a ser escandaloso. Quem assiste aos debates e entrevistas com os candidatos fica com a impressão de que é a coisa mais normal do mundo Lula se defender de acusações a respeito do mensalão retrucando que “o orçamento secreto é muito pior”.
De outro lado, quem já não ouviu aí algum bolsonarista dizer que as rachadinhas dos Bolsonaros ou a propina do Ministério da Educação depositada em pneus não chegam a ser problema porque, no petrolão dos governos petistas, a corrupção ocorria em escala muito maior?
É compreensível que a corrupção tenha se tornado um problema menor diante do avanço da pobreza, da debacle educacional e da deterioração institucional que temos presenciado. A desorganização no tecido social produzida pelo bolsonarismo é tão grande que muitas coisas tomaram a frente na lista de prioridades. Continue lendo

15:20JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

Pra agradar o eleitorado feminino e ganhar os votos que faltam para ir para o segundo turno, a equipe de Bolsonaro está sugerindo ele ir vestido de mulher ao debate de hoje na Globo.

15:06Os rolos da construtora da ponte que ‘saiu do papel’

Do blog VER-O-FATO , em reportagem publicada em 18 de abril de 2019

Construtora A. Gaspar, que vai reconstruir a ponte do Moju, acumula irregularidades e foi condenada pelo TCU por superfaturar obra

Contratada em caráter emergencial pelo governo do Estado para reconstruir a ponte de 260 metros derrubada por uma balsa no rio Moju no começo deste mês, a Construtora A. Gaspar acumula uma série de irregularidades em obras de sua responsabilidade no Paraná, Mato Grosso do Sul e Piauí, além de participação em carteis em São Paulo e Rio de Janeiro investigados pela Lava Jato.
Em nota remetida ao Ver-o-Fato, o governo do Pará “esclarece que fez uma chamada pública, em caráter emergencial. Seis empresas apresentaram propostas. A vencedora foi a que apresentou o menor custo. O Ministério Público do Estado, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o Ministério Público de Contas e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) participaram da sessão pública. O governo fará a obra com ética, melhor técnica e melhor custo e continuará agindo com transparência”.
Ver-o-Fato apurou que em 2016, a  Construtora A. Gaspar foi condenada por unanimidade pelo Tribunal de Contas da União (TCU)  a pagar R$ 6,2 milhões por superfaturamento de R$ 13 milhões na obra de reconstrução da Ponte Capivari-Cachoeira, no Paraná. Essa obra começou a ser construída em 2004.
O então superintendente do Dnit no Paraná, David José de Castro Gouvea, também foi condenado na mesma tomada de contas do TCU. Individualmente, Gouvea e a construtora também tiveram arbitradas multas de R$ 500 mil. Corrigidos, os valores totais das condenações passam de R$ 30 milhões.
O sumário da tomada de contas do TCU diz que o superfaturamento ocorreu em contratos emergenciais assinados pelo Dnit do Paraná e aponta “conduta omissiva do então coordenador David Gouvea na condução do procedimento licitatório de dispensa”. Com relação à Construtora A. Gaspar, houve “ausência de justificativa dos preços praticados, que se mostraram acima dos parâmetros de mercado”. Além disso, o TCU afirma ter havido “responsabilidade solidária do prestador de serviços e do agente público pelo dano causado à Fazenda Pública”.

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12:07Soneto soturno

de Paulo Henriques Britto

E durma-se com um barulho desses,
engulam-se os sapos necessários.
Resolução? Final feliz? Esquece.
Por outro lado, tudo está bem claro,

nada é ambíguo, e nas entrelinhas
é só espaço em branco. Noves fora,
não há saída. A coisa não termina.
A hora chega, e ainda não é a hora,

ou já é tarde e Inês é morta. Não,
não adianta mais. E no entanto
há que seguir em frente, sempre. Mãos

à obra, sim. Conforme o combinado.
Igual à outra vez: táticas, planos,
metas. É claro que vai dar errado.

11:32Sancionada lei para erradicação da pobreza menstrual

Assim veio

A lei que institui uma política pública municipal de Combate e Erradicação da Pobreza Menstrual, como estratégia de promoção à saúde no município, foi sancionada pelo prefeito. O projeto de lei, de autoria do vereador Dalton Borba (PDT), que cria diretrizes para efetivar a garantia de direitos a pessoas com útero ativo em situação de vulnerabilidade social, foi aprovado na Câmara Municipal no início desse mês — e, com a sanção do prefeito, torna-se política pública em Curitiba, aguardando regulamentação do poder Executivo.

11:28A. Gaspar e a ponte

Um xereta foi atrás de informações sobre a empresa A. Gaspar, do Rio Grande do Norte, que ganhou ontem a licitação do governo estadual para a construção da Ponte de Guaratuba por R$ 386 milhões. Foi ao site da empreiteira ávido por saber quais obras já teriam sido realizadas pela empresa, mas acabou frustrado: não tem nenhuma obra listada lá, apenas o aviso “conteúdo em breve”. Continue lendo

10:32Edição de ontem e de hoje

Um sábio e venenoso do Centro Cívico lembrou da famosa edição do debate entre Fernando Collor e Lula feita pela Globo, favorável ao primeiro. Então, disse: “O mundo gira, a Lusitana roda e, agora, se for preciso e possível, é o petista que vai aparecer muito bem na telinha até a hora do voto”.

10:04Perdeu!

O humorista Alexandre Garcia escreveu na Gazetona que “Pesquisa eleitoral faz mal para o coração”. Imediatamente o Gaiato da Boca Maldita pregou a estaca: “Mas só para quem está perdendo”.

9:54JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cívico

O desempenho do Padre Kelmon, candidato a presidente pelo PTB, deve inspirar os candidatos derrotados no Paraná. Uma delas é a de já ir cantando o Inri Chirsto para participar de chapa na próxima disputa.

9:24O risco de sujeira no final da campanha

por Vinicius Torres Freire

Reação social ao golpe mudou o clima no país, mas pode haver tentativa desesperada

Jair Bolsonaro (PL) corre o risco de terminar o domingo comendo pizza fria. Uma vitória de Lula da Silva (PT) no primeiro turno está na linha do gol. O imponderável de indecisões da última hora, abstenções e votos inválidos podem levar a bola para lá ou para cá, por diferença pequena. Quem sabe chova demais ou até falte ônibus para o povo ir votar, né. A dúvida maior é se o bolsonarismo vai tentar um lance de mão, um pontapé ou bater no juiz.

Parece preocupação amanhecida. Mas ainda nesta quarta-feira (28) as facções mais fanáticas do bolsonarismo requentavam a história da eleição roubada. O PL divulgou um papelucho sobre “vulnerabilidades relevantes” do sistema eleitoral, “com grave impacto nos resultados das eleições”.

Nesta quinta-feira, acontece o último debate entre os candidatos a presidente, na Globo, no último dia de campanha em TV e rádio. Dado o histórico de Bolsonaro e do bolsonarismo, não é desarrazoado especular que soltem uma bomba retórica de escândalo no debate. Poderia ser uma tentativa desesperada, de efeito marginal, se algum, de evitar uma derrota precoce. O tempo e os meios de reação do lulismo seriam escassos.

Um parlamentar moderado da campanha de Bolsonaro diz que isso é “delírio”. Mesmo o “nível de agressividade” de seu candidato, “forte”, será “dosado e baseado em fatos conhecidos” da vida política de Lula. Esse parlamentar diz que os ataques serão “objetivos” e, “por isso mesmo”, vão deixar o petista “emocionalmente abalado”.

Sabe-se lá. Parte do comando da campanha de Bolsonaro tem vazado pelos jornais que a agressividade, os maus modos, os maus bofes, as desumanidades e as ameaças golpistas não pegaram bem no eleitorado. Dizem que tentaram conter seu candidato, com efeito notável nas últimas duas semanas, acreditam.

Não é garantia de coisa alguma, como percebe qualquer pessoa que não esteve catatônica nestes quatro anos de trevas. No entanto, com os contra-ataques e contragolpes de agosto e de setembro, grupos importantes da sociedade acuaram o golpismo. Nesta terça-feira, empresários e dirigentes de empresas fizeram uma espécie de cerimônia precoce, precipitada, dizem alguns, de reconhecimento do novo rei, um comício de declaração de boa vontade com Lula.

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