Os que pretendem curar os males da democracia como os males do extremismo fazem como o cientista que, em vez de tratar da sífilis com malária, cura malária com sífilis.
Arquivo mensais:setembro 2022
7:40A VIDA COMO ELA É

Foto de Tarsila Faria e Silva
7:14Faz de conta
por Thea Tavares
“Amanhã já é ano que vem”.
(Ano Bom, de Xe Casanova).
Seja pela literatura, seja pela teledramaturgia, muita gente conhece o significado para a imaginação ou à projeção de realizações da brincadeira de “faz de conta”. As intenções da criança e do adulto se confundem nesse exercício de fantasia, mas também de estímulo à materialização e organização das nossas ideias.
Proponho que brinquemos de fazer de conta que hoje já é 1º de janeiro de 2023: cada um de nós passou pelas festas de fim de ano, pode ter confraternizado, trocado presentes ou não, pode ter encontrado tempo para descansar, renovar as energias, refazer-se… Talvez tenha ensaiado um balanço da vida até aqui, ter refeito planos, metas ou pode ainda ter analisado e compreendido este momento vivido, apoiado pela maturidade de comparar com o que já sonhou antes, realizou, com o que teve ou não diante de si, na perspectiva de retraçar suas próprias metas. Pode até ter, naquele instante, se perdoado, se acolhido e se respeitado na integridade do que quer que tenha se transformado e se definido então.
A vida é esse movimentar-se constante e tanto melhor será se valorizarmos e soubermos tirar proveito de períodos programados de pausa, de reflexão e de compromisso com a execução cotidiana daqueles planejamentos esboçados no silêncio da escuta interior.
Mas, nesta brincadeira de faz de conta, é importante responder: que quadro teremos ao nosso redor nesse dia? Quem estará do nosso lado, no nosso pensamento e quem ou o que não fará mais parte dos planos futuros? O que nos levou e que atitudes nos transportaram para tal cenário? Se há pessoas, paz interior, tranquilidade, sorrisos, disfarces, saudades… Se o coração estará preenchido ou se acusará lacunas, se a consciência estará mais leve ou carregada, se apenas nos observa, se esperneia ou cala-se em anuência? O que vai ser da gente?
Será que nossa resposta virá numa ressaca brava, que tangenciará a assimilação do período sob o pretexto do descanso ou do entretenimento? Se renovar-se-ão as preocupações e angústias diante das incertezas ou atribulações do futuro por definições que nos fogem ao controle ou fruto das imposições assumidas por responsabilidades escolhidas ou convencionalmente aceitas e suportadas? A simples possibilidade de nos enxergarmos, seja como for, em 1º de janeiro de 2023 por si só é promissora. Afinal, ninguém de fato sabe se existirá até esse dia. E, se chegarmos até lá, que tal cocriarmos a realidade que queremos ou deveremos estar inseridos nesse tempo-espaço prováveis?
Tudo bem. E que tal ousarmos mais? Pollyanna entra em ação e desafia, com toda a racionalidade que nos mantém no prumo: que tal deixarmos de lado as previsões pessimistas, os medos, as inseguranças, aqueles pensamentos autossabotadores e empregarmos toda luz e esperanças possíveis nessa tarefa? Até mesmo sobre nossas sombras mais arraigadas e indigestas, iluminar é materializar o enfrentamento e a assimilação de saudá-las como essenciais nessa caminhada evolutiva. E que tal também empenharmos todas as fibras do coração nessa arquitetura sutil, a fim de inflamar os projetos com o calor da alegria? O dia a dia já dispõe de tantos dissabores… Por isso, é que exercícios com sonhos só devem ser nutridos com a sabedoria advinda da afetividade e daquela mágica amorosa e confiante que vem da natureza e dribla ou nos blinda das pauladas que forçam distanciar a mente do coração. Sermos divinamente inteiros!
“Põe quanto és no mínimo que fazes”
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa).
Cada dificuldade nos ensina e sinaliza vazios a serem preenchidos, providos com nossa disposição de lutar por mudanças, melhorias e movimentações. Os sonhos e desejos têm de necessariamente serem pautados em beleza, simplicidade, aconchegos, confortos e promessas festivas. Senão, deixam de ser sonhos. Para cocriar, com os pés fincados no chão, pequenos avanços individuais e coletivos, nossas ações partem de motivações luminosas e que refletem o melhor da alma, a essência de nossa animação e humanidade. Continue lendo
6:59A VIDA COMO ELA É

O artista Ricardo Silva nasceu no dia 12 de setembro de 1961
18:51JAMIL SNEGE
Já inspecionei a proa,
amarrei a carga,
desatei a vela.
O vento sopra forte e
enfuna meu coração de alegria.
Agora é contigo, Senhor.
Toma o leme e risca
o rumo do meu barco – não
penses que irei por
este mar sozinho.
18:23Algoritmo
Deus é o algoritmo criando um universo de imbecis. (Douglas Adelfo)
18:21SOLDA (Alceu Dispor)

18:05O nome dela é Rosa
A ministra Rosa Weber assume amanhã a presidência do Supremo Tribunal Federal. Ela é uma ilha de sobriedade naquele mar de “celebridades”. Não dá entrevistas, não tem contas na internet e só fala nos autos, como todos deveriam se portar. Quem quer ser celebridade e dar palpite até no funcionamento dos semáforos, deveria estar fora da mais alta corte da Justiça do Brasil e disputando espaço com Anitta, Caetano Veloso, por aí.
17:43NELSON PADRELLA
Sem príncipes, que seria dos povos e nações? Precisamos existir para dar rumo às utilidades, e execrar os nefelibatas. Não é tempo de sonhar. Devemos estar alertas às ameaças, mesmo as mais sutis, e punir os insurretos. O tempo dos príncipes voltará, e cada príncipe escreverá sua história com soldados e conquistas, com sangue e com glórias, em nome do nosso Deus pela proteção da nossa família.
17:34A VIDA COMO ELA É

Foto de Carlos Castelo
17:15Campanha política e agressões na porta do Estádio do Café
Da Folha de Londrina
Deputado acusa torcida organizada do Londrina EC de agressão; torcedores rebatem
Antes da partida do Londrina contra a Chapecoense começar no estádio do Café, na noite deste sábado (10), uma confusão envolvendo a equipe do deputado federal Filipe Barros (PL) e torcedores do Tubarão ocorreu na entrada do local. O deputado, que concorre à reeleição, postou em seu perfil no Twitter que ele e sua equipe foram “vítimas de covarde violência política feita por uma horda de petistas que integram a Falange Azul”. Já a torcida organizada Falange Azul postou uma nota oficial no Instagram após as manifestações do parlamentar nas redes sociais contestando sua versão.
No Twitter, Filipe Barros postou um vídeo com imagens da campanha eleitoral durante o sábado em frente ao estádio e também com trechos da confusão já citada por ele. Na postagem, ele afirma que estava com sua família e equipe no estádio do Café. “Eis que petistas criminosos chegaram em bando e partiram gratuitamente pra porrada: agrediram meu sobrinho de 18 anos, meu tio de 65, meu pai, minha assessora, demais da equipe e eu”, escreveu, dando uma conotação de violência política ao caso no esteio da morte de um petista por um apoiador bolsonarista no Mato Grosso.
Neste vídeo, o candidato faz o seu relato de como começou a confusão. “O meu sobrinho Vitor, de 18 anos de idade, tirou o dia hoje para nos ajudar fazendo panfletagem no sinaleiro, foi entregar um panfleto para um dos carros que parou no sinaleiro, quando simplesmente esse carro falou que era Lula, falou que não gostava do Filipe Barros, que não gostava do Bolsonaro e jogou os panfletos no chão. Tudo bem, não tem problema nenhum. Faz parte da democracia. Continuamos com o nosso trabalho, com a nossa conversa. Eis que essas mesmas pessoas que estavam no carro chegaram como uma horda, estavam mais de 10 e começaram a gritar que não gostavam do Bolsonaro, do Filipe, que nós éramos machistas, que nos agredíamos mulheres, deram soco na boca do meu sobrinho Vitor de 18 anos de idade. São covardes”, afirmou Barros, dizendo que os torcedores do LEC agrediram ainda outras pessoas do grupo com chutes.
Versões Continue lendo
9:14PARA JAMAIS ESQUECER TURIBIO SANTOS E CHORO Nº 1 (HEITOR VILLA-LOBOS)
8:24E o Hauly…
Do Analista dos Planaltos
Luiz Carlos Hauly, ex-deputado federal, ex-secretário da Fazenda do Paraná, resolveu sair da sombra e, para surpresa de muitos, resolveu se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele, que sempre foi um dos nomes conhecidos do PSDB, saiu do ninho e embarcou na canoa do Podemos, de Alvaro Dias, Deltan Dallagnol e do prefeito de Londrina, Marcelo Belinatti, de quem era inimigo. As urnas vão dizer se saltou ou não para o desconhecido.
7:55É do careca…
O Gaiato do Boca Maldita abriu a página digital da Gazetona e tomou um susto ao ver em destaque três fotos do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Não se conteve e perguntou: “É do careca que o jornal não gosta mais? E cadê o Dallagnol?”
7:39A VIDA COMO ELA É

Em Curitiba – Foto de Rafael Perich
7:26NELSON PADRELLA
Sou o filho da Luz. Aquele que vai enfrentar as tempestades. O que trará bonança para o povo e a luz do Conhecimento. Antes de mim havia o escuro, a ignorância e a maldade. Venho com meus soldados para salvar a pátria. Trago a pólvora e o obus, a lâmina e a dor. Trinta mil hão de morrer, e mais trinta perderão braços ou pernas. Assim será se tiver que ser. Aleluia. O Senhor está conosco.
7:20MILLÔR
Nunca estive em Cuba. Mas não cometo a injustiça de julgar esse país pelo que os comunistas falam dele.
7:12TOM & LAURA

7:10Brasil sai do Sete de Setembro com imagem de país totalmente gagá
por Ricardo Araújo Pereira
Os protagonistas da festa foram uma víscera do primeiro chefe de Estado do país e uma extremidade do último
As celebrações do duplo centenário do Brasil parecem ter revelado o que muitos temiam: aos 200 anos, o país está gagá. Primeiro, o presidente recebeu no Palácio do Planalto uma víscera vinda de outro continente. Depois, discursou perante uma multidão de apoiadores e se gabou de ser “imbrochável”.
Apesar de falarmos a mesma língua, em Portugal nós não usamos a palavra “imbrochável”, por isso tivemos de recorrer ao dicionário. O que significaria? O que poderia um chefe de Estado estar a se vangloriar de ser, no bicentenário do seu país? Corajoso? Responsável? Sensato?
Com alguma surpresa, descobrimos que a palavra queria dizer “aquele que não perde a potência sexual”. Mais surpreendente ainda foi o fato de a cerimônia não ter prosseguido com um concurso de arrotos. A psicologia alega ter descoberto que a fanfarronice costuma camuflar uma insegurança, mas não me custa a acreditar que Bolsonaro esteja a dizer a verdade.
Todo aquele sangue que manifestamente não está a irrigar o cérebro tem de ter ido para algum lugar. Por outro lado, mesmo antes de encomiar a sua própria potência, Bolsonaro elogiou a pujança da economia brasileira e afirmou que a inflação “está despencando”.
Sucede que o IPCA está em 10%, no acumulado de 12 meses. O leite aumentou mais de 60% no último ano. A batata inglesa aumentou quase 70%. Talvez ele se tenha equivocado. É possível que, entre a inflação e a sua própria masculinidade, ele tenha confundido o que continua a subir com vigor e o que já está despencando.
O mais irônico, no entanto, é que, quando vejo o vídeo em que Bolsonaro proclama a sua potência sexual, eu perco um pouco da minha.
Creio que passarei a chamar aquele momento à memória sempre que me achar, digamos, demasiado entusiasmado.
Em resumo, os protagonistas do bicentenário do Brasil foram uma víscera do primeiro chefe de Estado do país e uma extremidade do último. Não se pode dizer que tenha sido uma festa tradicional.
Festas de aniversário, sobretudo de aniversariantes de idade vetusta, como era o caso, costumam ter menos referências a miudezas. Parecia mais uma despedida de solteiro.
*Publicado na Folha de S.Paulo
18:09A VIDA COMO ELA É

Foto de Milton Nogueira