Do Filósofo do Centro Cívico
Se der tudo errado para o Atlético Paranaense a partir dessa nova liminar da Justiça, em breve a Baixada vai se tornar o maior boteco com teto retrátil do mundo.
Do Filósofo do Centro Cívico
Se der tudo errado para o Atlético Paranaense a partir dessa nova liminar da Justiça, em breve a Baixada vai se tornar o maior boteco com teto retrátil do mundo.
Se o Reino dos Céus é dos pobres de espírito, então, meu Deus, já estamos no Paraíso.

Foto de Chicones
Do umdois esportes, da Gazeta do Povo, em reportagem de Fernando Rudnick
Liminar suspende decisão favorável ao Athletico sobre pagamentos da Arena
A 1º Vara da Fazenda Pública de Curitiba suspendeu nessa quinta-feira (22), de forma liminar, decisão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) que exige que estado e município apresentem novo acordo aditivo para Arena da Baixada, além de dividirem o valor final da obra (R$ 346,2 milhões) com o Athletico.
A decisão da Justiça aconteceu após ação popular ajuizada pelo empresário Fabio Aguayo contra o Conselheiro do TCE-PR Fernando Augusto Mello Guimarães. O processo discute a legalidade e a competência da decisão do Tribunal de Contas com base em uma denúncia formulada pelo clube.
Na semana passada, a Prefeitura havia pedido extensão do prazo de 30 dias para cumprir a decisão do TCE-PR, solicitação concedida também nessa quinta. O processo transitou em julgado no dia 23 de agosto.
A juíza substituta Rafaela Mari Turra acolheu o argumento de que o Athletico não tinha legitimidade para formular tal denúncia e cita que o convênio assinado na época da reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 expressava um limite de compartilhamento de custos. Continue lendo

Em Curitiba – Foto de Roberto José da Silva
por Mario Sergio Conti
Cenas da estação de rouxinóis raivosos, cisnes verde-oliva e abutres em flor
Lula ganha no primeiro turno. Bolsonaro engole em seco, saúda o novo presidente, providencia uma transição tranquila e lhe passa a faixa desejando boa sorte.
Os campos são cobertos por vergéis floridos; o céu, por rouxinóis maviosos; as águas, por cisnes como o véu da Virgem.
Bolsonaro perde no primeiro turno. Beija a lona, levanta zonzo e bufa que lhe garfaram a eleição. Ressabiado, prega a insurreição. Milhares de deputados, senadores e governadores recém-eleitos lhe perguntam: nossa eleição também foi roubada?
O Urubu Malandro se enrola todo e não consegue responder. Gatunos do centrão mandam-no entubar uma brachola. Ele finge que agasalha o croquete, mas grasna em dó maior, bica feito galinha tonta, assusta as crianças.
Seu mimimi enternece a melíflua banda do deixa-disso, prenhe de interesses patrióticos no que pintar. Lula precisa de paz, pô, apregoam os hipócritas: há que se conciliar. Fernando Henrique bate o bumbo. Começa um histérico bate-boca sobre dar imunidade ao mau perdedor.
Vale a pena enfeitar seus chifres com a coroa de louros de senador vitalício? Como blindar a filharada rachadista? Pega bem se exilar no Brunei? E o bem-bom da milicada, como fica? Hienas em pele de Bambi uivam: ó vida, ó céus, ó azar.
Janaína raspa a cabeleira e Mourão pinta a sua de lilás. Silvio Santos afana um terno verde-periquito do Veio da Havan. Temer escreve uma carta pedindo cautela e Ciro Gomes ateia fogo às vestes na Torre Eiffel. O general Brega Nato anuncia que fará uma dieta para domar a pança indomável, e Regina Duarte comemora: que fofo!
A quizumba é resolvida no Rio: a Academia Brasileira de Letras decide que os novos imortais são inimputáveis. Bolsonaro abiscoita o fardão de Ruy Castro, que, em represália, retorna a seu torrão natal, Caratinga. O mimoso rincão mineiro, anuncia, é mais moderno que o Rio.
No Réveillon, o miliciano-mor das Vivendas da Barra toca zabumba no Planalto fantasiado de coveiro de Elizabeth 2ª. Carluxo e o general Heleno se sacodem num xaxado arretado. Malafaia e Damares fazem despacho para Exu com pinga e galinha preta.
Michelle voa num teco-teco da FAB para Maringá, onde Moro a recebe com um coro de lontras, que entoa: “Menina, você é doce de coco! / Tá me deixando loco!”. O imbrochável fica com a brocha na mão. Alckmin lhe oferece um picolé de chuchu. É o começo de uma linda amizade.
Os campos ficam cobertos por mandacarus tóxicos; o céu, por rouxinóis raivosos; as águas, por cisnes em uniforme verde-oliva.
Lula e Bolsonaro vão para o segundo turno. As raposas julgam que, se a extrema direita recorrer às baixarias de sempre, será o melhor dos mundos. Mas Bozo amalgama acusações de falcatruas eletrônicas com exortações à virada violenta da mesa. Prega o evangelho do ódio.
O Brasil se divide. Não ao meio, mas com dezenas de milhões do lado do presidente. Muitos deles armados. Tomados por torpor pré-comatoso, tribunais, polícias, Congresso e igrejas se borram de medo dos coices do Cavalão.
A tática bolsonarista é aumentar a tensão, tumultuar. Para que um curto-circuito espalhe faíscas e acenda o incêndio de um colapso político. A primavera do fogo medra.
Pancadaria, xingamentos, bolsominions com porretes: provocações atemorizam a campanha da oposição. Um atentado não é produto apenas da exasperação social e política. É obra de uma pessoa, de um lobo solitário; ou de grupelhos fanáticos. Uns e outros são sensíveis à escatologia golpista do Tinhoso.
Arruaceiros azucrinam eleitores em metrópoles. Arrebentam urnas em burgos podres. Soltam rojões contra comícios. Fazem rolos em locais de aglomeração. Espalham o pânico na véspera da votação.
Bolsonaro diz que a eleição tem de ser adiada e será preciso prorrogar seu mandato. O caos institucional dura 48 horas e se chega a um acordo. Que é rompido em seguida. O país patina.
Os campos são cobertos por ervas deletérias; o céu, por abutres em flor; as águas, por piranhas sedentas de sangue.
Bolsonaro perde no segundo turno. Decreta que a vontade popular foi maculada e anuncia que não sairá do palácio nem que a vaca tussa. Conclama agronegocistas, PMs, milicianos e generais a defendê-lo.
A malta verde-amarela invade o Planalto e o cerca com caminhões. O imbrochável brande a Kalachnikov em riste. Há que tirá-lo de lá. O Estado titubeia em recorrer à força bruta para garantir a posse de Lula.
Que campos, que céus, que águas a primavera nos prepara?
*Publicado na Folha de S.Paulo

Foto de Patricia Iunovich
Da coluna Radar, na Veja
Com a decisão do ministro do STF, Renato Freitas, do PT, também poderá ser candidato a deputado estadual nas eleições desse ano
Barroso concedeu uma liminar suspendendo a eficácia de decisões do TJ-PR que negaram pedidos de tutela antecipada e mantiveram o ato da Câmara que cassou o vereador por quebra de decoro parlamentar.
A defesa do parlamentar alegou que o processo de cassação durou mais que 90 dias, prazo máximo previsto na legislação federal. O Tribunal de Justiça considerou o Código de Ética da Câmara, que prevê a prorrogação do prazo.
Na decisão, Barroso considerou a alegação de que o processo de cassação deve ser disciplinado por norma federal e não local. O ministro também entendeu que a punição importou em restrição ao direito fundamental à liberdade de expressão do parlamentar, exercida em defesa de grupo vulnerável, submetido a constantes episódios de violência.
Ele também destacou que é impossível dissociar a cassação do mandato do pano de fundo do racismo estrutural da sociedade brasileira.
“Na situação aqui examinada, e talvez não por acaso, o protesto pacífico em favor de vidas negras, feito pelo vereador reclamante dentro de igreja, motivou a primeira cassação de mandato na história da Câmara Municipal de Curitiba”, escreveu.
A última tentativa
de me entrevistar contigo
foi um grande fracasso.
Acendi incensos, decorei com flores
– e nada de ti, Senhor.
Amanheci frustrado e
fatigado como se dançasse
a noite inteira nos infernos.
Resolvi então fazer
tudo ao contrário: dancei,
me embriaguei, libertei
fantasmas, invoquei
demônios.
Tive um sono embalado
por anjos em doces paragens
celestiais.
És sempre assim, Senhor?
Imprevisível? Desconcertante?
Tinha um goleiro que dizia: “Voar é com os pássaros”. Não, não era referente ao filme. É que ele achava espetaculoso demais o que faziam os outros, principalmente em bolas indefensáveis. Sua marca registrada era a colocação. Se via que não daria para pegar a bola, ficava parado porque não era de sujar o uniforme à toa. Mas, porque essa lembrança agora? A campanha eleitoral. De sempre. Esses personagens já chegam melados – e a cara de pau em repetir sempre o que antecessores falaram, prometeram, mentiram sobre o que fizeram. Show de horrores. Nas arquibancadas, aplaudem, sempre acreditam, não importa o quanto continuam espancados pelos fatos. No campo onde a bola é rainha, às vezes é assim. Tanto que aquele goleiro durou pouco no time grande. Ele não enganava principalmente a si mesmo. O povo queria o voo, mesmo que para enganar.
Para 69% dos eleitores há corrupção no governo Bolsonaro. Para 100% há roubalheira em qualquer governo.

William Blake
por Ivann Lago*
O Brasil levará décadas para compreender o que aconteceu naquele nebuloso ano de 2018, quando seus eleitores escolheram, para presidir o país, Jair Bolsonaro. Ex-integrante do Exército onde respondeu processo administrativo sob acusação de organização de ato terrorista; deputado de sete mandatos conhecido não pelos dois projetos de lei que conseguiu aprovar em 28 anos, mas pelas maquinações do submundo que incluem denúncias de “rachadinha”, contratação de parentes e envolvimento com milícias; ganhador do troféu de campeão nacional da escatologia, da falta de educação e das ofensas de todos os matizes de preconceito que se pode listar.
Embora seu discurso seja de negação da “velha política”, Bolsonaro, na verdade, representa não sua negação, mas o que há de pior nela. Ele é a materialização do lado mais nefasto, mais autoritário e mais inescrupuloso do sistema político brasileiro. Mas – e esse é o ponto que quero discutir hoje – ele está longe de ser algo surgido do nada ou brotado do chão pisoteado pela negação da política, alimentada nos anos que antecederam as eleições.
Pelo contrário, como pesquisador das relações entre cultura e comportamento político, estou cada vez mais convencido de que Bolsonaro é uma expressão bastante fiel do brasileiro médio, um retrato do modo de pensar o mundo, a sociedade e a política que caracteriza o típico cidadão do nosso país.
Quando me refiro ao “brasileiro médio”, obviamente não estou tratando da imagem romantizada pela mídia e pelo imaginário popular, do brasileiro receptivo, criativo, solidário, divertido e “malandro”. Refiro-me à sua versão mais obscura e, infelizmente, mais realista segundo o que minhas pesquisas e minha experiência têm demonstrado.
No “mundo real” o brasileiro é preconceituoso, violento, analfabeto (nas letras, na política, na ciência… em quase tudo). É racista, machista, autoritário, interesseiro, moralista, cínico, fofoqueiro, desonesto.
Os avanços civilizatórios que o mundo viveu, especialmente a partir da segunda metade do século XX, inevitavelmente chegaram ao país. Se materializaram em legislações, em políticas públicas (de inclusão, de combate ao racismo e ao machismo, de criminalização do preconceito), em diretrizes educacionais para escolas e universidades. Mas, quando se trata de valores arraigados, é preciso muito mais para mudar padrões culturais de comportamento. Continue lendo
O Gaiato da Boca Maldita acordou com pena dos candidatos que nem para voto útil servem.

por Bela Megale, no jornal O Globo
Parte significativa do PT e da classe jurídica que apoia o partido sonha que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski possa assumir o Ministério da Justiça em um eventual governo Lula. A chance de o magistrado ir para o comando da pasta, no entanto, é zero.
O argumento do ministro para rejeitar qualquer possibilidade de ocupar o posto já chegou à campanha de Lula: não quer trilhar o mesmo caminho traçado por Sergio Moro.
Um dos fundamentos que embasaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a parcialidade de Moro na Lava-Jato foi a decisão de o ex-juiz de deixar a magistratura para ingressar no governo Bolsonaro. A defesa de Lula apontou que Moro se beneficiou de decisões que proferiu ao impedir o petista de concorrer à Presidência no pleito em que Bolsonaro foi eleito.
No STF, Lewandowski já atuou em ações envolvendo Lula diretamente. Além disso, o ministro não tem plano algum de antecipar sua aposentadoria da corte, que será no meio do ano que vem, para assumir a pasta da Justiça.
Do Filósofo do Centro Cívico
A Justiça do Distrito Federal determinou que o portal UOL retire do ar a reportagem sobre a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo pela família do presidente Jair Bolsonaro. Mas demorou tanto que agora todos foram vendidos – em centenas de cheques, para manter uma tradição.
Do Instituto Opinião
Pesquisa mostra que apenas 28% dos entrevistados disseram escolher o candidato a deputado federal com mais de um mês de antecedência
Com uma eleição presidencial centralizada em dois candidatos há meses, o levantamento do Instituto Opinião mostra que 83% dos entrevistados disseram que a escolha do candidato ao Palácio do Planalto é definitiva. Na corrida presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45% contra 33% de Jair Bolsonaro (PL).
Mas se o eleitorado demonstra segurança na escolha do futuro do próximo presidente, o mesmo não é possível dizer em relação à escolha do candidato a deputado federal. Das 2 mil pessoas ouvidas por telefone pelo Instituto Opinião entre os dias 18 e 20 de setembro, apenas 28% disseram escolher o candidato à Câmara dos Deputados com mais de um mês de antecedência. Vale lembrar que o pleito será no dia 2 de outubro. A pesquisa foi encomendada pelo site jornalístico Congresso em Foco.
“A definição em cima da hora do candidato a deputado e até ao Senado é uma característica do eleitor brasileiro. É muito comum a pessoal ir para o local de votação sem saber em quem votar para a Câmara Federal”, afirma o sociólogo Arilton Freres, diretor do Instituto Opinião. “Os levantamentos mostram que muitos eleitores, infelizmente, não lembram em quem votaram para deputado, vereador. Com isso, a fiscalização do trabalho do Legislativo pelos eleitores é muito baixa.” Continue lendo
Um venenoso do Centro Cívico que nem santinho da turma de oposição ao governador achou, pergunta se existe alguma estratégia guardada para lançar nos próximos dias – ou se como está tá bom pra todo mundo.