17:57ZÉ DA SILVA

Não há sorrisos, só navalhas voadoras. Na porta do açougue da cidade intoxicada, corações pendurados por ganchos. Não sangram mais. Há moscas varejeiras em todos eles. Elas brilham sob o sol que consegue furar a fumaça constante. Alguém diz que suas cores são lindas. São mesmo. Na esquina há um leproso sem alguns dedos das mãos. Com o que sobrou ele segura e olha admirado uma capa de disco do século passado. Dolores Duran sorri e dentro pede uma noite de paz. O farrapo humano sorri para o sorriso dela. As gengivas dele estão carcomidas. Tiros são ouvidos. Homens, mulheres e crianças dentro e fora dos carros parecem dopadas. Ergo o braço e pego uma das lâminas. Dou meia volta, rasgo o peito, tiro o coração e entrego para o açougueiro. Não morro. Continuo – mas não penso em mais nada.

2 ideias sobre “ZÉ DA SILVA

  1. Sergio Silvestre

    A reciproca é verdadeira né Ferreira,se fala tanto de Cuba ,Venezuela e afins que tem ate a torta pela fadiga de material.

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