19:53ZÉ DA SILVA

Guardei a garrafa durante décadas. Era de Praianinha, mas foi muito bem lavada. O rótulo sumiu no buraco do tanque. Fiz o chá, mas não tomei. Era uma onda mais eficiente do que qualquer rede social. Era a casca do ipê roxo que curava da espinhela caída a qualquer tipo de câncer. Mais ou menos na época tinha uma voz dizendo que Paul McCartney tinha morrido. Isso no disco SgtPepper’s Lonely Hearts Club Band, mas só se a gente rodasse a bolacha ao contrário depois da última música do lado B. Enchi a garrafa e guardei. De vez em quando olhava o conteúdo através do vidro transparente. Esperava chegar a hora. Ela chegou. Como eu soube? Comecei a prestar atenção nos depoimentos dos que se acham nossos líderes. Ao mesmo tempo acompanhei a revelação das roubalheiras explícitas, já que sempre isso aconteceu no país, mas de uma forma velada  e não tão acintosa. Vou beber. Bebi. Veio o alumiar da solução. O tiro na testa dos mentirosos. É preciso conseguir muita munição.

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