18:19ZÉ DA SILVA

A menina falou de forma direta, como um soco no estômago: “Vocé é o culpado!”. O pai nunca ouvira aquilo, nem pelas letrinhas da internet. Perguntou o motivo. Ela contou que na véspera estivera na dermatologista e um exame de rotina identificou um problema no couro cabeludo. A doutora disse, então, que, se a paciente não se cuidasse, em breve poderia ter falhas na cabeleira, que é vasta. A culpa disparada era porque a doutora perguntou se tinha alguém da família com o mesmo problema. Ela pensou direto na careca total do pai – daí ter disparado a pancada. Ele disse que compraria uma peruca se ela precisasse. Sim, era uma gozação, que ela não gostou. Ele então mandou ela reclamar com o avô paterno, o primeiro pouca telha que passou a coisa para os filhos homens. Depois de desligado o contato, ele entrou numas e começou a maldizer sua herança – logo ele que jamais se importou com a falta de cobertura. Contou o caso ao psiquiatra. Este, com cabelos até na testa, começou a rir e sugeriu um implante, um interlace. No outro dia o pai telefona para a filha e lhe sugere uma saída: “Raspe a cabeça agora pois ouvi dizer que isso engrossa os pelos”. Ela reagiu: “Não faço. Minha cabeça é achata em cima e atrás igual a sua”.

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