21:01ZÉ DA SILVA

Anotei tudo numa caderneta daquelas que é presa por um elástico. Era o que eu sentia ao ver. O que? Oras, depois dos oitenta consegui atravessar o Oceano Atlântico e fui dar um bordejo na tal Europa. Alguns países apenas. Grana curta, juntada durante anos. Itália, França, Inglaterra, Grécia, Holanda, com direito a um pequeno cruzeiro e uma entrada na Turquia. Carregava duas máquinas fotográficas e a caneta Bic. Clique e uma anotação sobre uma situação ou lugar que nunca tinha visto nem em filmes ou descrita nos romances que leio como quem tem fome constante. Seis mil imagens guardadas. A caderneta cheia. Faz cinco anos que isso aconteceu. Não abri nada. Não sei que medo é esse. Contei isso ao oncologista. Ele riu e disse que eu tenho tempo. Quanto. Ele contou a piada do Miojo. Três minutos.

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