13:15Tobe Hooper, morto aos 74, foi um dos grandes diretores de horror

por André Barcinski

Dois mil e dezessete tem sido um horror para o cinema de horror. Em julho perdemos George Romero, “inventor” dos filmes de zumbi e diretor de “A Noite dos Mortos-Vivos” (1968). Agora foi a vez de Tobe Hooper, criador de um dos grandes clássicos do cinema nojo, “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). Hooper morreu de causas naturais em Los Angeles, em 26/8, aos 74 anos.

O diretor fez parte de uma geração de cineastas –junto de George Romero, John Carpenter, Joe Dante, Stuart Gordon, Wes Craven e outros– que pegou a última grande fase do cinema independente nos Estados Unidos. Muitos desses nomes vieram da escola Roger Corman de filmes B e aprenderam com ele a realizar produções baratas e de grande apelo comercial.

A história de Hooper, no entanto, é um pouco diferente: quando trabalhou para Corman em “Eaten Alive” (1976), filme sobre um caipira psicótico que usa hóspedes de sua pousada como alimento para um jacaré de estimação, Hooper já havia deixado sua marca no cinema de horror –e principalmente na bilheteria– com “O Massacre da Serra Elétrica” (do Texas).

O filme é um marco do gênero “jovens estúpidos encontram assassinos seriais em locação remota”. Cinco amigos, em visita ao Texas, acabam encontrando uma família de canibais liderada pelo sádico Leatherface.

Hooper tinha 21 anos quando decidiu fazer o filme. Era do Texas e conhecia bem o senso de isolamento de comunidades remotas do Estado, que pareciam viver à margem da sociedade e onde discussões ainda eram resolvidas à bala.

Parcialmente inspirado no assassino Ed Gein, que também foi o “modelo” de Norman Bates (“Psicose”) e de Hannibal Lecter (“O Silêncio dos Inocentes”), Hooper criou o personagem Leatherface, um maníaco que ataca pessoas com uma motosserra (era uma motosserra, mas “serra elétrica” soava bem melhor no título em português).

Quando o filme foi lançado, os EUA estavam em meio à Guerra do Vietnã e a um período de total desconfiança no governo e nas instituições. Hooper inventou que o filme era inspirado numa história real, usando o argumento de que, se o governo podia mentir sobre a guerra, também poderia contar uma mentirinha sobre um filme. Deu certo: feito com menos de US$ 300 mil, rendeu, só nos EUA, cem vezes mais, puxado por uma campanha de divulgação sensacionalista e por intenso boca a boca (hoje, a arrecadação passaria de US$ 146 milhões).

Um grande admirador do filme era Steven Spielberg, outro cineasta que iniciou a carreira no cinema B, com thrillers como “Encurralado” (1971), “A Força do Mal” (1972) e “Tubarão” (1975). Em 1982, Spielberg estava prestes a fazer “E.T.” e havia escrito “Poltergeist”, mas seu contrato o proibia de dirigir qualquer filme no mesmo período. Decidiu, então, convidar Hooper.

“Massacre” e “Poltergeist” são filmes marcantes, que inspiraram muitas imitações e gravaram o nome de Tobe Hooper como um dos grandes diretores do cinema de horror. Ele nunca conseguiu repetir a força e o impacto desses filmes, mas isso não diminui sua importância e influência.

*Publicado na Folha de S.Paulo

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