14:58TICIANA VASCONCELOS SILVA

Ali. No quarto, ela ficava em paz, porque o lia. Estava cumprindo a missão que seu pai lhe dera, a que ela tanto esperou, mas não sabia. Não. Não era a biografia dele, mas algo que sinalizava para isso. Está escolhendo os textos que mais lhe aprazem, os que a fazem rir, chorar, se encantar e reconhecer muito do que ela é na herança genética. O motivo pode ser esse mesmo ou o porvir de algo maior que virá em forma de livro sobre ele. Projeto audacioso, mas que está aqui guardado. Talvez o faça com a ajuda do irmão, que escreve melhor, ou ela mesma o ajudará. Nos textos de agora, há violência, armas, alma, música, cinema, loucuras, memórias da vida, do inferno e da salvação, a família que ele tanto valoriza, que é a dela. E ela sorri feito criança, porque ele consegue traduzir em palavras – muito bem escritas – tudo isso. Sem ferir, sem se sentir culpado por descrever tão bem tudo o que sente e se passa em sua cabeça – de pedra. E as fontes em que ele bebe, não mais o álcool de outrora que o levou ao inferno, ainda são irreconhecíveis por ela, mas há em tudo, mesmo que mascarada, a poesia. Da vida. A que ele demorou para entrar em contato. E foi por isso que lhe deu a missão. Porque dizem por aí que sou poeta. E é assim que ele a chama.

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