12:22Requião, a derrota como consequência.

Do Analista dos Planaltos

Quem acompanha política sabe que Roberto Requião vinha construindo sua derrota há muito tempo. Primeiro tratou de desidratar o PMDB , hoje MDB. Abandonou todas as grandes é médias cidades e as lideranças históricas. Pode se tomar como exemplo Guarapuava, onde tinha grandes eleitores como a família Matos Leão, Nivaldo Kruger e Cândido Bastos. Rompeu com todos e o partido virou nanico. De Paranaguá até Foz do Iguaçu o quadro é o mesmo, assim como em Curitiba onde o partido quase desapareceu na Câmara Municipal.
Além da má gestão e do aparelhamento do casarão da avenida Vicente Machado, onde o ancião abrigou seus poucos protegidos, o senado também o mandato no Paraná. Deixou de frequentar o interior, nunca promoveu reuniões  – e essas quando ocorriam eram inexpressivas com poucos gatos pingados.
Desmobilizando o partido, Requião dedicou-se a viagens internacionais cercado de mordomias e nenhum resultado para o Brasil. Nas redes sociais analisava apenas as virtudes dos restaurantes de chefs e os hotéis cinco estrelas dos quais era habitué.
Na tribuna do Senado tinha seus bons momentos com discursos bem elaborados pelos assessores. Entretanto, a tônica era sempre a do bate e assopra, ora elogiando ora criticando e desconstruindo.
Como senador foi um crítico pendular sem jamais deixar o MDB, partido que apodreceu e teve muitos de seus próceres presos ou condenados – e outros salvos pelos mandatos como o presidente Temer.
Para Requião, os fundos partidários falaram sempre mais alto e, no final, assim como o tempo de televisão, serviu apenas para reeleger o filho Maurício.
Se não tivesse sido tão egocêntrico e nepotista, bastaria ter mantido a bancada estadual do PMDB, que se não tivesse migrado para o PSB, o teria reelegido senador.
A decadência entretanto continuou. De 14 deputados eleitos, o MDB reduziu-se a oito, depois a quatro e agora somente dois , metade da bancada do PT, e sem nenhum prefeito de grande cidade.
Também na eleição para Governador não conseguiu apoiar o sobrinho João Arruda, nem se esforçou para valer em momento algum, mantendo a tradição de resultados pífios em eleições para o executivo desde que perdeu o governo para Beto Richa no primeiro turno.
Sem mandato à partir de janeiro, Requião dependerá exclusivamente de um convite para algum posto no executivo se o presidente for Fernando Hadad .
Aliás, a aposta no PT também não vingou, mas do alto de sua soberba Requião não admite erro algum e credita a derrota aos votos úteis para derrotar Beto Richa, apenas isso.
O fato é que Requião tocou a campanha no piloto automático com programas de tv amadores, provavelmente conduzidos por ele mesmo, ausência total de alianças expressivas e um fastio de quem perdeu o gosto pela disputa acirrada.
O falso moralismo exacerbado e a pregação acusatória não enganaram tantos eleitores.
São muitas as condicionantes das derrotas, mas se Requião não tivesse imposto tantas exigências para a aliança com Osmar Dias, seu mandato estaria garantido.
Quis escolher o candidato a vice de Osmar e tantas outras coisas que o pedetista desistiu, talvez já antevendo o tsunami de votos que viria com Ratinho Junior e a onda Bolsonaro.
Só se surpreendeu com o resultado desastroso de Requião e seu MDB particular e familiar quem não acompanhou as análises neste mesmo espaço nos últimos anos. Elas, talvez, poderiam ter servido de alerta, mas jamais foram aceitas por quem se julga sempre infalível e acima de todas as críticas, dono de todas as virtudes.

10 ideias sobre “Requião, a derrota como consequência.

  1. Gumercindo Saraiva

    PERFEITO. Está aposentado o Maria Louca. Desde a época de estudante e na ditadura militar não se expunha. Colocava um cobertor na cabeça e apreciava as passeatas na XV e na Tiradentes, Sempre foi um frouxo e levou as coisas no bico e na agressividade, Já vai tarde. Boa aposentadoria.

  2. luzia f. nascimento

    E alguém viu este senhor correndo o Estado atrás de votos?
    Com o rei na barriga, parece ter ficado em casa, esperando a vitória que viria fácil.
    Deu no que deu.

  3. pedro gabriel

    Requião, de fato, é o político com carreira política mais expressiva construída via voto popular. Mas, por incrível que pareça, conseguiu isso sempre com ajuda de alguém:

    a) Não era ninguém, a não ser um deputado estadual de primeiro mandato, inexpressivo. Mas José Richa, governador, licenciou-se e saiu às ruas, bem cedinho, nos pontos de ônibus, fazendo campanha para Requião se eleger prefeito de Curitiba. Requião eleito, logo brigou com Richa, mostrando desde aquela época que uma das suas “virtudes” é a ingratidão.

    b) Terminando o mandado de prefeito de Curitiba, Álvaro Dias, que era governador, deu a Requião uma poderosa secretaria para que ele pudesse percorrer o estado e concorrer com chances a governador do PR. Na eleição estava atrás de Martinez no segundo turno, ia perder a eleição, então inventaram um tal de Ferreirinha que, em depoimento, alegou que a família de Martinez usava jagunços para enxotar e matar supostos posseiros de terras. Mais tarde, descobriu-se a falsidade do depoimento, mas Requião se elegeu governador. E logou brigou com seu benfeitor, Álvaro Dias.

    c) Nas outras duas vez em que se elegeu governador, pegou carona com Lula e o PT, que estavam em alta. Na última vez que se elegeu governador, ganhou de Osmar Dias por 10.000 votos, uma ninharia considerando-se o tamanho do colégio eleitoral do Paraná. Mesmo ajudado por Lula e PT, a relação entre Requião e os petistas sempre foi entre tapas e beijos. Ou seja, Requião é oportunista.

    Requião tem visão estreita, nunca planejou o Paraná, nunca olhou para a frente… Foi contra a segunda onda de industrialização automobilística do Paraná implementada por Jaime Lerner. Se dependesse de Requião, hoje não teríamos a Renault e nem a Volks e nem as centenas de empresas e milhares de empregos agregados pela indústria automobilística.

    A única plataforma de Requião é “leite para as crianças” e tarifa social da Copel e Sanepar… algo válido para as famílias carentes, mas muito pouco como plataforma de desenvolvimento para um governante de um estado como o Paraná.

    Requião precisa vestir o pijama, calçar chinelos e assistir Sky o dia todo. O Paraná felizmente se livrou de um retrógrado, atrasado, jurássico, ingrato, hipócrita… Espero que ele não venha a se candidatar a prefeito em 2020… aí seria demais!

  4. Hotel Califórnia

    Faz psicanálise com o irmão Eduardo que melhora rápido, tal qual o outro Wallace e o Maurício.
    Gente da melhor qualidade.

  5. Oráculo

    E pensar que agora só o Mauricinho terá que arcar com o ônus familiar requianista! Fardo dificil de carregar né mamoninha? A rapadura é doce mas não é mole não!!!!

  6. jorge Hardt filho

    Espero que a lava-jato pegue seu irmão ,para Roberto ter programa semanal: visitar o ex-superintendente do porto de Paranaguá na cadeia

  7. Parreiras Rodrigues

    Ganhou eleições mentindo com Ferreirinha, com o Pedágio, abaixa ou acaba. Transformou a RTVEducativa em palanque pessoal e a serviço da tevê venezuelana; instalou a tal escolinha, em cujas aulas esculhambava colaboradores e tinha o ego massageado; personalista, estampou RR nos vales transportes quando prefeito e placas de veículos com o ARR; mandou agricultor enfiar faixa no rabo, ameaçava jornalistas e funcionários e esculhambava a Imprensa; perguntou prá humilde operária em confecções se traia o marido; deu carteirada num acidente de trânsito que envolveu parente; pendurou toda a família no governo; irmão psiquiatra – o dos dólares no armário, no Porto de Paranaguá; acenava a Carta de Puebla com a mão direita, segurando com a esquerda, taça de vinho de novecentão e, alguém pode apontar ai algum resultado das suas frequentes viagens para reuniões dum tal de Parlasul? Bradava MDB – Velho de Guerra, trocando companheiros históricos de Nova Londrina e de Paranavai por arenistas, também históricos.Teve muitos votos. Os grotões não o conhecem.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>