11:52PENSANDO BEM…

JesusPerantePilatos

ROGÉRIO DISTÉFANO

O que Pôncio Pilatos e Sérgio Moro têm em comum? Os mártires. O magistrado romano na Galiléia homologou a sentença dos fariseus e mandou Cristo para a cruz. O magistrado maringaense vai na conversa dos fariseus e está prestes a crucificar Lula. O que veio com o sacrifício de Cristo todos sabem e celebram na eucaristia. O que acontecerá depois do sacrifício de Lula começa a se desenhar. Porque, assim como de Cristo derivou a cristologia, inicia-se a elaboração da lulologia, ciências sobre um e outro mártires.

Absurdo o que digo da santificação de Lula? Pode ser, não fosse o absurdo não estaria aqui. Mas estou em boa companhia. O velho Tertuliano, lá pelos idos dos anos 300 da era cristã, dizia sobre sua fé em Cristo: ‘Credo quia absurdum’, acredito mesmo que seja absurdo. Pois é, há um esforço para elaborar a hagiologia de Lula. Quem iniciou esse trabalho? Se a cristologia é obra dos doutores da Igreja, Santo Agostinho por todos, a lulologia começa a ser elaborada pelos doutores do PT, Marilena Chauí por todos.

A lulologia nasce com um problema: é cismática, de vocação separatista. Esse problema só afetou o cristianismo ali pela metade do século V, quando o patriarca Nestório, de Antióquia, elaborou a teoria do diosifismo – Cristo, para Nestório, teria duas naturezas, a divina e a humana, ambas diferentes e separadas. O cisma em questão foi a separação do credo católico ortodoxo oriental do credo católico ortodoxo e romano. Nem o Concílio de Calcedônia, em 451 DC, no qual prevaleceu a linha do monofismo, pacificou a encrenca.

Os doutores do PT trabalham na linha do diosifismo de Lula. O mártir do PT tem duas naturezas, a humana e a divina. A humana é o homem que trabalhou pela Odebrecht, tolerou e tirou proveito do Petrolão, que se refestelou – afinal, a carne é fraca – em triplexes, sítios e benesses para filhos e parentes. A natureza divina de Lula é a do líder messiânico, por isso que o chamo de Messias do ABC, o melhor presidente que o Brasil já teve, o santo que redimiu os pobres e os necessitados, o salvador da pátria. Doutor é assim, vê chifre em cavalo.

Como irão reagir os monofisistas da base petista ao diofisismo dos doutores? Se a História continua sendo a mestre da vida – menos no Paraná, onde os mestres acham que a greve é a professora da vida -, veremos o cisma do PT. A base, MST, MSTT, CUT, bolsistas-família e os quase decepcionados, continuarão a crer no Lula humano e divino e daqui pode derivar uma igreja ortodoxa lulista. Os doutores do diofisismo, com seu Lula humano e seu Lula divino, separados e imiscíveis (que não dissolvem um no outro), serão o catolicismo romano do PT.

Os doutores da Igreja não destruíram o cristianismo, só o dividiram e complicaram; muita liturgia, muitos cânones, muitas leis, o tal mistério da fé. O povo crente e simples acredita num Cristo de forma humana, que aparece descendo entre os homens e ressuscitando depois de três dias na tumba. Como os simples do PT, que só veem o martírio de Lula, cegos pela adoração cega. Rejeitam traições e denúncias, seja dos fariseus do PMDB, seja dos Judas da Odebrecht. Sua fé é cega, seu mártir é perfeito, sem máculas, gulas ou gozos profanos.

Interessante essa teoria dos dois Lulas, o divino e o humano. O humano foi uma decepção para os intelectuais do PT, traiu a filosofia, os princípios e a fé do partido, entregou-se com volúpia à concupiscência do dinheiro fácil das empreiteiras sedutoras. Mas o Lula divino é outra coisa, outra natureza, diferente e separada, traz nele a força e o poder de transpor rios e financiar africanos. É esse que importa, começam a elaborar os doutores do PT. Mas fica a dúvida: o que pretendem fazer com o Lula humano, falho e pecador?

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