7:24Paisagem limpa e caminho sem saída

A reportagem da Folha de S.Paulo sobre o consumo de crack em Curitiba comprova que a política pública adotada é a de repressão para que a imagem de cartão postal da cidade não se deteriore. Curitiba e a maioria das capitais do Brasil nunca tiveram concentrações de dependentes como São Paulo e sua cracolândia. O que se faz aqui, no entanto, é o que João Doria tenta fazer na capital paulista e quebra a cara porque mostra o desconhecimento sobre o que é a doença e não enxerga a forma de se tentar amenizar o problema através do caminho do tratamento. Quando a prefeitura retira da área da Saúde e passa para a de Defesa Social a questão, como aconteceu aqui, temos algo parecido como soltar um rinoceronte numa loja de artigos de porcelana e cristal. Empurrar para a periferia alguns craquelentos só tem o efeito de deixar o Centro da cidade pronta para fotos de turistas ou longe das vistas daqueles que se arrepiam ao ver alguém fumar a droga porque não têm o mínimo conhecimento do problema – assim como nossas “autoridades” demonstram. Pergunta-se: qual a diferença entre os que se entorpecem com esta droga ilícita e os outros que estão espalhados na cidade e se matam lentamente com o álcool? Nenhuma. Aqui já foi comentado que as verdadeiras cracolândias de Curitiba estão em barracos ou casas dominadas por traficantes. Ali ficam concentrados os que estão dentro deste universo paralelo e que só saem para conseguir dinheiro ou objetos para trocar por pedras – isso quando não executam “serviços” para os “patrões”. Para os que deveriam cuidar do problema, assim é melhor, pois longe dos olhares preconceituosos e câmeras denunciantes. A paisagem fica limpa e o caminho de quem entrou nele, sem saída.

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