8:53Os Gatos

De Fernando Muniz 

O banco da praça é gelado, de concreto. Mas ela não se importa. Nem sente, na verdade. “Sai, bicho feio”! Espanta um gato mirrado, de olhos remelentos e se torna dona do lugar.

As crianças correm ao redor de uma bola na cancha de areia em frente, meninos e meninas, aos gritos e risos. O sol resolve sair de trás das nuvens; os raios trazem uma sensação boa, de aconchego, que a deixa feliz. Mas o bom mesmo seria correr atrás daquela bola, dar aqueles gritos, estar feliz daquele jeito.

Assovia quando fazem gol. Um dos meninos pega a bola e, cheio de raiva, vem tirar satisfações. Um companheiro de time pega em seu braço. “Deixa ela, meu! Não vê que ela não tem condição de brigar”? O garoto a inspeciona e se vira, fingindo desprezo. O jogo continua.

A menina se chateia. Não tinha pensado em provocar; só queria se sentir junto deles. Busca as muletas.

O gato, mesmo maltratado, sobe no banco atrás de calor e se achega a ela. Que dá um sorriso.

E desiste de ir embora.

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