8:19Operação que investiga fraudes em licitações de ônibus chega a Curitiba

Da Gazeta do Povo, em reportagem de Felipe Anibal

Preso na operação, ex-advogado do sindicato das empresas de transporte firmou colaboração premiada e apresentou informações sobre a licitação na capital paranaense

O sistema de transporte coletivo de Curitiba será investigado pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), ambos vinculados ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). As apurações terão como ponto de partida as declarações prestadas em colaboração premiada pelo advogado Sasha Reck, que mencionam a licitação do transporte público na capital paranaense. Preso e denunciado na Operação Riquixá, Reck foi advogado do Sindicato das Empresas de Transporte de Curitiba e Região (Setransp).

A parte do depoimento de Reck que faz alusão à licitação de ônibus de Curitiba passou a fazer parte da Operação Riquixá nesta segunda-feira (5). As investigações são consideradas desdobramento da Riquixá e continuam a ser conduzidas pelo núcleo do Gaeco de Guarapuva. Uma das responsáveis pelo caso, a promotora Leandra Flores disse que as novas diligências serão definidas a partir da análise das informações prestadas pelo advogado Sasha Reck na colaboração premiada.

“Nós acabamos de receber [o depoimento do advogado] e juntamos aos autos. Ainda não tomamos medidas investigatórias, que serão definidas em seguida. As investigações continuam no âmbito da Riquixá”, afirmou a promotora.

A licitação de ônibus de Curitiba foi realizada em 2010 e, nos anos seguintes, passou por uma série de questionamentos. Uma auditoria da própria Urbanização Curitiba S/A (Urbs) e uma CPI conduzida pela Câmara apontaram indícios de que o certame havia sido direcionado às empresas que ganharam a concessão do serviço. O Tribunal de Contas do Estado também considerou que houve irregularidades e recomendou o cancelamento da licitação.

Por meio de nota, o Setransp disse que “desconhece o teor das declarações do referido advogado e não recebeu nenhuma notificação formal. Portanto, a entidade não vai se pronunciar”.

A operação

A Operação Riquixá foi deflagrada em junho do ano passado, em Guarapuava. Em sua primeira fase, os promotores denunciaram 22 pessoas, entre as quais o ex-prefeito da cidade Luiz Fernando Ribas Carli; o advogado Sasha Reck; o irmão dele, Alex Reck; e o pai destes, Garrone Reck. Sócios de empresas de ônibus também foram denunciados.

Segundo o Gaeco, os acusados formaram uma organização criminosa, especializada em cometer irregularidades em sistemas de transporte. Entre os crimes denunciados, estão crime de responsabilidade (cometido pelo então prefeito); fraude em licitação e falsificação de documento público.

A Riquixá também se estendeu por outras cidades do Paraná, como Maringá, Foz do Iguaçu e Curitiba. As investigações chegaram até o Distrito Federal, onde o grupo também teria agido. Em uma segunda fase da operação, foram cumpridas uma série de prisões em diversos estados.

Uma ideia sobre “Operação que investiga fraudes em licitações de ônibus chega a Curitiba

  1. Zé Ninguém

    Engana que eu gosto, é mais fácil uma reeleição da infeliz ou do caçador de marajás do que um dia vermos um dos donos do Cartel dos Ônibus indo em cana. Acredito que até o 51 vai em cana antes do que qualquer dos donos do “Sistema” ponha os pés numa cadeia.

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