8:13Operação para gerar imagens

Ao final da operação das Forças Armadas, Polícia Civil e Polícia Militar no Rio de Janeiro, ontem, foram apreendidas duas pistolas, um punhado de drogas, duas pessoas morreram e 14 foram presas. Cinco mil homens entraram num pedacinho de uma das grandes favelas do Rio de Janeiro. Não se sabe a que custo, mas o desfile de blindados no meio daquele mar de barracos, que hoje são de alvenaria, comprova que toda a parafernália tem o objetivo de gerar imagens que, talvez, acalmem a população das áreas não faveladas, digamos assim. O exército de traficantes sabe como jogar este jogo. Fica na dele, esperando a onda passar. A maioria dos moradores destes lugares, composta de trabalhadores honestos e, que, de certa forma, são reféns dos bandidos, reza para que a guerra anunciada não exploda. O secretário de Segurança do Rio cantou a pedra em entrevista: não há como recuperar armas, drogas e prender traficantes diante da quantidade de locais onde tudo pode ser escondido. Outra: soldados do Exército não são treinados para este tipo de operação, que nunca tiveram sucesso nem com a ação dos policiais civis e tropas especiais da PM acostumadas a este tipo de confronto naqueles locais. No entorno, há uma lógica simples de mercado: enquanto houver grande demanda, sempre haverá o comércio da droga – que rende muito. Outra: os barões do tráfico não moram em favelas e não correm o risco de levar tiro na cara ou serem presos de vez em quando como troféus da eficiência policial. Bandido e mocinho, nessa história, também se conversam de vez em quando – e assim como na política, o propinoduto é muito ativo. Por último: quem consome a droga, que é protegida com armamento de última geração nas vielas dos morros ou corredores de favelas horizontais como as do Complexo da Maré? Em Curitiba, para citar um exemplo que pode ser comparado a um jardim de infância com o do Rio de Janeiro, não é incomum dependentes trocarem o carro novinho ganho de presente do papai por um punhado de pó ou algumas pedras de crack na “biqueira”, como chamam pontos de venda onde se encontra “o patrão”, ou seja, o chefe do tráfico naquele pedaço. Quem não tem isso, rouba os pertences de casa e, pior, os que têm menos, aceitam qualquer missão para continuar se drogando. Soldados do tráfico no Rio fazem isso por dinheiro e droga. Morrem cedo, entram na estatística como os que levaram bala ontem – mas a chaga continua, com gente morrendo dos dois lados da guerra.

Uma ideia sobre “Operação para gerar imagens

  1. Zé Ninguém

    Combater o tráfico e o comércio de drogas como é feito é chover no molhado, nunca levou a anda e nunca levará a nada. Ou fazemos a coisa certa que, é por na cadeia os chefões isto nunca vai acontecer. É o mesmo que se dá com as tais “torcidas organizadas”, todo mundo sabe que o que elas menos fazem é “torcer” pelos seus times, são antros de bandidos e nada mais mas, sempre somam votos para os seus patrocinadores, nem todos eles deputados, senadores ou vereadores.

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