6:38Obrigado e obrigado

Às vésperas de deixar o governo para se candidatar ao Senado, Beto Richa ganhou manchete principal no site da Folha de S.Paulo para dizer que o que ocorreu com a caravana de Lula em Quedas do Iguaçu foi um caso isolado – e está sendo investigado (ler abaixo). Contou que até o acontecido os petistas tinham agradecido o esquema de segurança da PM – e que Lula fez isso mandando recado através do secretário de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli. Juntando lé com cré, agora ele tem de agradecer aos petistas pelo espaço que ganhou para explicações. 

Ataque a caravana de Lula foi coisa localizada, diz governador do Paraná

Tucano Beto Richa afirma que não é possível controlar tudo

Thais Bilenky
SÃO PAULO

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), diz que o ataque a tiros contra a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no interior do estado, na terça (27), “parece que foi uma coisa muito localizada”.

A dias de deixar o governo para disputar o Senado, o tucano afirma que não há hipótese sobre a autoria dos disparos, mas negou que tenha havido negligência. “Não tem como você controlar tudo.”

Folha – O que aconteceu? Fugiu do controle?
Beto Richa - A Polícia Civil está fazendo perícia para ver o que houve.

Tem algum indício? 
Não tem indício nenhum. Nada. Está fazendo a perícia para ver o que houve.

Foi subestimada a necessidade de policiamento?
Mas tem policiamento. Não sei o que houve exatamente naquele momento. Inclusive sei que o pessoal da caravana agradeceu, meu pessoal passou mensagem para mim em Foz do Iguaçu [antes do ataque], a intervenção rápida da polícia para evitar confronto de manifestantes com a caravana, manifestantes dos dois lados, garantindo a segurança da caravana, do ex-presidente, a realização do evento.

Depois do episódio, como ficou a relação com a caravana? 
Parece que foi uma coisa muito localizada. Lógico que há protestos, não tem como negar, em todos os lugares por onde ele passou, mas a polícia está acompanhando e garantindo a segurança.

Como o sr. vê o episódio?
Um episódio muito localizado. Não posso dizer o que foi, o que não foi, estou baseado em informações recebidas. Ninguém presenciou isso, mas a Polícia Civil está fazendo uma investigação rigorosa, uma perícia para tentar identificar de onde vieram os tiros e quem pode ter sido.

O delegado Wilkison Arruda, de Laranjeiras do Sul, disse que falta estrutura à Polícia Civil, que a demora na chegada de peritos ao local deu-se em razão da extrema precariedade a que está submetido o Instituto de Criminalística.
Mentira dele, mentira. Liga para o diretor-geral da Polícia Científica. Ele vai dizer que nunca houve tanto investimento na Polícia Científica quanto no nosso governo. Inaugurei dois IMLs nas duas últimas semanas, Londrina e Curitiba. Liberei a contratação de 28 técnicos, médicos legistas e tudo. Sabe como é funcionário público. Alguns têm mania de querer o paraíso. Pergunta quanto é o salário dele.

Ele falou que os quadros da Polícia Civil do Paraná são “extremamente deficitários”.
Não é verdade. Esse cara está aproveitando o incidente para fazer críticas ao governo?

Ele disse que o Paraná tem cem delegados a menos que Santa Catarina apesar de ter quase o dobro da população. 
Não posso dizer quanto tem em Santa Catarina. Quando fiz concurso para delegado de polícia, vieram delegados do Brasil inteiro, inclusive da ativa, atraídos pelo bom salário. Paguei subsídio para eles, um monte de avanço.

srdiscorda de que a precariedade policial foi responsável pelas falhas na segurança que resultaram nos disparos?
A maior contratação de policiais militares fui eu que fiz, 11 mil policiais. Não tenho um orçamento suíço, como sugeriu o delegado. O Paraná tem das maiores elucidações de crimes, percentual que passa de 80%, comparado a país de primeiro mundo. Mas sempre tem os esquerdopatas no meio do funcionalismo.

É o caso dele?
Não sei, não sei se ele é membro do sindicato ou coisa parecida.

Quatro disparos contra a caravana de um ex-presidente, candidato a presidente, não pode ser considerado um caso menor, não?
Claro que não, tanto é que estamos investigando. Mas de repente, no meio da multidão, sai o disparo, no meio do caminho de uma cidade para a outra, não tem como você controlar tudo.

Durante a campanha, o sr., como candidato, acha que a questão da segurança vai demandar esforços mais enfáticos das polícias?
Os ânimos estão acirrados, a questão da condenação do Lula, os ânimos estão exaltados, vivemos um momento atípico. Certamente vamos ter que ter um cuidado redobrado com futuras manifestações vistas as experiências dos últimos dias.

Críticos disseram que a segurança da caravana e as ações de inteligência foram negligenciadas por se tratar do Lula e do PT. 
Não é nosso caso. Estou te dizendo, meu secretário de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, vive junto dos movimentos sociais, tratando e contribuindo, MST e tudo, ele está lá dentro. Ele me disse que o Lula pediu para agradecer.

 

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