9:07O tiro do delegado

De  Wagner Mesquita, delegado da Polícia Federal ex-secretário de Segurança do Paraná, em carta publicada no Facebook:

… Em um ano de eleições, o caráter político nas decisões de governo ganha importância, e tenho que reconhecer que esse não é o meu forte. Gosto de fazer polícia e obter resultados, e não há como atingir metas agradando a todos. Buscando o melhor armamento, os melhores equipamentos, enfrentei privilégios, interesses, e combati monopólios. Se esse era o preço, pago de bom grado. E nesse viés, talvez realmente seja a hora de partir para outra missão.

O texto na íntegra:

Quero aqui agradecer todas as mensagens e moções de apoio que recebi nas últimas semanas até o fim de minha missão junto à SESP. Foram infindáveis, desde cidadãos e profissionais de segurança pública a grandes instituições.

Em um ano de eleições, o caráter político nas decisões de governo ganha importância, e tenho que reconhecer que esse não é o meu forte. Gosto de fazer polícia e obter resultados, e não há como atingir metas agradando a todos. Buscando o melhor armamento, os melhores equipamentos, enfrentei privilégios, interesses, e combati monopólios. Se esse era o preço, pago de bom grado. E nesse viés, talvez realmente seja a hora de partir para outra missão.

Agradeço ao Governador Beto Richa a confiança e oportunidade de trabalho, saio ciente de que fiz meu melhor, dentro das circunstâncias.

Tive a melhor equipe na SESP que se pode ter, e em respeito a eles não aceito críticas quanto a sua eficiência e gestão financeira, superior a 96 % em 2017, possivelmente a melhor entre todas as Secretarias de Governo. Não houve privilégio nem discriminação a nenhum dos órgãos que compõem a SESP, todos receberam investimentos de maneira equânime e conforme as necessidades próprias de cada atividade. Distribuição orçamentária e questões salariais, no entanto, não são de atribuição da SESP.

Recebi uma secretaria de segurança endividada, em crise, sem viaturas nem armas, sem atividade de inteligência operacional, criticada pela sociedade e com baixa moral, e entrego instituições policiais respeitadas, profissionais, bem vistas pelo povo paranaense e reconhecidas em todo o Brasil.

Foram muitas crises enfrentadas e resolvidas, desde crimes graves, grandes manifestações, reintegrações, invasões de escolas, votações e atos públicos e políticos sensíveis, sanados com técnica e profissionalismo.
A última crise, referente a atividade do IML, também foi sanada com a locação de viaturas novas e criação da central de despachos 24h, com uso de GPS nas viaturas. Problemas graves são típicos da natureza da pasta, e se assim não fosse não haveria necessidade de Secretário atuante.

Duplicamos a quantidade de CONSEGs no Estado. Interagimos com respeito e transparência com OAB, imprensa e MP. Estruturamos e equipamos o DEPEN, projetamos e demos início à construção de novos presídios e unidades modulares. Ressuscitamos o CICCR, pelas mãos dos próprios policiais, e hoje é ferramenta essencial para a Segurança Pública. Foram dezenas de operações de inteligência contra o crime organizado, recordes de prisões, apreensão de armas e drogas.
Contei com a garra e o comprometimento de todo o efetivo, que com vontade e determinação percebeu a política de valorização da atividade policial, respondendo com ações ostensivas e investigações que resultaram na queda nos índices criminais, os menores já registrados no Paraná e na contramão da realidade do resto do Pais.

Enfim, por tudo isso, so tenho palavras de agradecimento a cada um dos agentes de segurança pública e servidores da SESP. Valeu todo o empenho – cada gota de suor, cada argumentação, os muitos momentos de tensão e alguns de comemoração.
Deixo aqui meu desejo de boa sorte e sucesso ao amigo Secretário Júlio Reis, policial capacitado, bem como a toda sua equipe.

“As armas ensaia, penetra na vida:
Pesada ou querida, viver e lutar.
Se o duro combate, aos fracos abate,
Aos fortes, aos bravos, só pode exaltar.” (Gonçalves Dias)

4 ideias sobre “O tiro do delegado

  1. Sergio Silvestre

    Pois é,como PF se sabe o caminho das pedras e como funciona o negocio,ninguem quer mudar nada,todos querem que os esquemas continuem,principalmente ai na PF,os mais velhos são as cobras das aduanas,das grandes cargas ,dos helicópteros lotados e do jeitinho dos carros e caminhões que nunca são parados.
    O Brasil ta podre e não cai do pé,o povo sofre e nada muda e se alguém tenta mudar perece, é por isso que sobrevive a falcatrua,o roubo a corrupção,ta muito bom para os comando que esperam a coleta,ta muito bom com os dízimos por fora que caem como chuva de verão,esse é o jeito brasileiro que ninguem quer mudar,aquele que tirou a sorte grande de estar num cargo deste está com a vida feita.

  2. jose

    Pois é silvestre, vc continua o mesmo, fala mal de todos mas na hora do “vamo vê” se esconde. Se tem esquema da PF como vc diz, porque vc não denuncia???? Porque é um covarde!

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