8:22O desaparecimento do militante

História curitibana, para aproveitar o tremelique causado pelas mensagens do comandante do Exército. Passado o período de chumbo da ditadura, a paúra, natural, continuou entre a turma da esquerda, mesmo porque houve assassinatos, tortura e muita coisa absurda nos porões durante as duas décadas de poder dos fardados. Mas muito tempo depois, quando tudo estava calmo, um militante curitibano que integrou uma caravana para um encontro em São Paulo desapareceu depois que o ônibus retornou. Foi um deus nos acuda! Acionaram a Secretaria de Segurança, toda a rede nacional dos contra, etc. Nosso colaborador, que assina os textos como Zé da Silva, tinha um espaço na Tribuna do Paraná, onde estreou em 1982. Gozador, pariu uma crônica onde destroçava tal chilique coletivo dizendo, sem citar nomes, que provavelmente o militante tinha se engatado com alguma companheira e estava naquela fase exuberante da descoberta do entendimento sexual. Pra que? Teve gente que queria responder no jornal, mas apontando o nome do “desaparecido”. Para completar a galhofa, o escriba ilustrou a coisa com uma foto de arquivo onde um homem segurava o crânio de um esqueleto encontrado num terreno baldio. A legenda informava que era o que tinha sobrado do militante depois do prolongado encontro amoroso. Resumo da história: o cronista tinha acertado em cheio. O da esquerda, que era casado, reapareceu, estava mesmo engatado com uma companheira, por quem se apaixonou perdidamente na viagem. Tempos depois se casaram e viveram felizes enquanto durou. Como ele conhecia o Zé, um dia se encontraram e morreram de rir com toda a história.

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