17:41NELSON PADRELLA

Não. O primeiro amor da minha vida não foram as meninas com quem me iniciei, nem foram as paixões eternas da puberdade, que só duraram o tempo que duraram. Meu primeiro amor aconteceu agora. Porque, pela primeira vez, numa relação com uma mulher, deixei de ser o moleque e isso fez Teresa se tornar o primeiro amor de minha vida. Não sei se também a emoção de estar na Europa, se isso não fez brotar sentimentos novos e entre essas alegrias a descoberta de que me tornei adulto. Ainda se fazia descobertas em Portugal! Se não mais terras que pudessem ser tomadas de seus veros habitantes, mas descobertas de dentro, da alma, do poço das angústias a que chamamos amor. O amor tão fácil daquela mulher, a entrega junto ao Tejo fez de mim, enfim, homem. Eu nunca tinha me sentido homem até então. Sempre um criançola, um rapazelho. Como diriam os portugueses: um belo puto. Estar com Teresa foi estar amando Portugal. Um amor escrito com renúncia, e onde se podia ler, antecipada, a palavra saudade. Teresa cresceu e cresceu tanto que ocupou todas as praças e esquinas de minha alma. A aventura com essa mulher me madurou, e eu gostei da passagem de onde estava para onde vim. Nenhuma saudade da infância, levada pelas águas do Tejo. Meu único amor foi Teresa.

*Do livro A volta de Franz Hertel

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