20:39Navio

de Ticiana Vasconcelos Silva

Tudo parece-me estranho

Tamanho é o desejo de estar a sós

Sem aqueles nós que naufragaram

E me ataram à vontade de correr veloz

Fugir do algoz que inventei pelo medo

Pelo erro, pelo que caiu após

A partida breve sobre a neve

Cuja pele escorre em meu lençol

 

Súbitos anseios permeiam o que ficou em nós

E calada na madrugada acordada, enlaçada pelos anzóis

Deste navio que ainda permanece inerte no fundo de corais azuis

Recordo-me hoje com olhos marejados, cansados de vida e de vontades senis

Mesmo que a idade fale mais dos beijos que eu não quis

Mesmo que a mão ainda guarde a marca que nasce sem fim

Pois permanece como um bálsamo da coragem que eu nunca fiz

E, assim, faço do meu castelo de areia a barragem de você em mim

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