19:55Mães

por Fernando Muniz 

Não consigo. Não dá. É uma coisa que acontece aqui no peito e, quando vejo, estou pegando tudo ao redor para ir comprar. Aceitam qualquer coisa. Até o são Jorge da minha mãe passei adiante, numa vez que bateu uma fissura animal.

Não é bom para a menina. O ambiente aqui é teto preto, às vezes. Em outros dias não e brincamos bastante. Damos risada. Mas a minha mãe tem razão. Se alguma coisa acontecer com ela, aí eu quebro de vez. Já deixei ela sozinha tantas vezes que a minha mãe pensou em parar de trabalhar.

Uma delas é enfermeira, tipo vai cuidar das feridas na pelezinha dela, vai ter remédio o tempo todo e tudo o mais. A outra é professora, olha só, tem uma estante cheia de livros. Tenho inveja de quem consegue ler, eu, não, tenho problema de concentração e, depois de cinco minutos, as letras ficam dançando no papel. Bizarro, né?

Dá uma dor danada saber que ela não vai estar aqui quando eu voltar da rua, não vai me abraçar nas pernas se eu estiver careta ou pancada das ideias, nem vai tomar banho comigo e brincar de cantora famosa. O abraço dela é do tamanho do mundo e eu carrego aquele calorzinho o dia inteiro.

Elas disseram que tudo bem se eu aparecer na casa delas quando a minha mãe for fazer faxina para ver a menina, mesmo que a gente tenha feito tudo no papel passado, na legalidade. Elas me prometeram que vai ser uma festa nossa princesa ter tantas mães.

Mas lá no fundo mesmo eu queria que a gente não precisasse de tanta festa e ela pudesse ser só para mim.

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