18:04Livre pensar é só pensar

De Rogério Distéfano, no blog O Insulto Diário (http://www.oinsultodiario.com/)

Gente, vamos pensar um pouco, chega de comer prato feito. Essa bronca contra o ministério público por investigar candidatos: Fernando Haddad, Geraldo Alckmin e Beto Richa. Na realidade o problema é com Beto Richa, que foi preso. Os outros dois pegaram carona para reforçar o escracho contra o MP.

Começou com um conselheiro do CNMP, advogado, sintomaticamente. Recebeu previsível aplauso do ministro Gilmar Mendes e chegou à corregedoria do MP. Agora promotores e procuradores são vilões.  A razão é chinfrim: porque agiram às vésperas das eleições, o que pode prejudicar candidaturas e influir nos eleitores. O fato na sua palmar objetividade é rigorosamente ignorado, ou melhor, ofuscado propositadamente.

1 – Os promotores e procuradores não são irresponsáveis a ponto de investigar sem uma fímbria de indícios ou de provas. 2 –  Juízes, que não são criticados ou postos diante de corregedorias, autorizaram as investigações, a coleta de provas em domicílios e deferiram as prisões. Então, promotores e procuradores deveriam esperar as eleições para, depois, promover as investigações, e os juízes recolher-se em obsequiosa omissão?

A crítica ao MP transita para o cinismo, como se a ação do ministério público não fosse permanente, devendo estacar no período eleitoral. Como se houvesse um bill of indemnity temporário para os candidatos. Não sejamos ingênuos: as ações vieram na hora que compromete as candidaturas. E daí? Quem não deve não teme. Fiquemos no caso do Paraná, de Beto Richa e seu entorno próximo-distante.

Beto Richa brincou no trapézio e na linha de equilibrista sem a cautela da rede protetora da lei, apostando na impunidade que o Paraná historicamente concede aos políticos. Foram oito anos de constante viver perigosamente – sem contar o período na prefeitura, não exatamente digno de aplausos. As investigações vinham desde o início do segundo mandato. Não contou que o pecado pode levar à punição do pecador.

Queriam que o MP esperasse até o fim da senatória? Por trás da celeuma contra a prisão de Beto Richa – é só ela que interessa aos críticos, o resto é desculpa – estão os inconformados com a prisão após a segunda instância, que querem manter a impunidade do foro privilegiado. Beto Richa continua elegível – e honrado, segundo ele. Os eleitores que decidam, não o conselho nacional do MP. E que a Justiça siga seu curso, aos trancos, como sempre.

4 ideias sobre “Livre pensar é só pensar

  1. Ademar Luiz Vieira

    Acho que no ministério público do Paraná tem muita gente do PT enrustido.
    A lei ali funciona da seguinte forma:
    Pros amigos a lei, pros inimigos o rigor da lei.

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