7:31Esses adoráveis maluquetes

por Célio Heitor Guimarães

Dois personagens secundários (mas nem por isso menos populares) do Universo Disney comemoram aniversário neste mês de maio. Um faz 85 anos e o outro, um pouco mais jovem, 65. O primeiro é Goofy Goof e o segundo Gyro Gearloose, rebatizados no Brasil (certamente por Alberto Maduar, roteirista e tradutor da Editora Abril nos anos 50/60) de Pateta e Prof. Pardal. Ambos simpaticíssimos, atrapalhados e – diríamos até – meio lelés da cuca, surgiram como coadjuvantes das “estrelas” Mickey e Donald, mas logo conquistaram a simpatia dos fãs de desenhos animados e dos quadrinhos.

Pateta, como a maioria da fauna disneyana, chegou pelo cinema. No curta-metragem de animação “Mickey’s Revue”, lançado nos EUA em 2 de maio de 1932. Inicialmente, chamou-se Dippy Dawg, mas logo passou a ser Goofy Goof, presente em mais de 100 produções animadas, algumas das quais como protagonista. Nos quadrinhos está desde que o velho Walt começou a mandá-los para as bancas de jornais, em aventuras normalmente encabeçadas pelo inseparável amigo Mickey, ainda que, de vez em quando, assuma o seu alter ego super-herói, o Superpateta.

No Brasil, sempre pela Abril, já teve título próprio em três ocasiões: nas décadas de 1980 e 2000 e desde 2011.

A paternidade de Pateta é atribuída ao animador dos estúdios Disney Art Babbitt, cabendo ao desenhista Frank Webb a criação gráfica. Dizem que Walt Disney não tinha nenhuma simpatia por Goofy, que considerava “um passo atrás”. Não era essa a opinião de Babbitt, para quem o personagem é “uma composição de otimismo eterno, um samaritano crédulo e bom, um indolente caipira bem-humorado”.

Não menos boa-praça, o Prof. Pardal é um cientista às voltas com suas invenções. Normalmente, vive no mundo da lua, mas é igualmente cultuado pelos leitores e citado como referência até mesmo por quem nunca leu quadrinhos. Sua criação, como a de quase toda a população de Patópolis – Donald, Patinhas, Vovó Donalda, Gastão, Margarida e dos sobrinhos Huguinho, Luizinho e Zezinho –, deve-se ao notável Carl Barks.

Ao contrário de Pateta, Pardal nasceu nos quadrinhos. Em maio de 1952, na HQ “Gladstone’a terrible secret”, publicada no Brasil em 1956, na revista “Mickey” nº 51, com o título “A Sorte Do Gastão”.

Como Pateta, Pardal é atrapalhado e, às vezes, capaz de invencionices de amargar, como a “máquina de não fazer nada” e o oralicóptero, uma máquina voadora movida a “quacs” de Donald. É que ele não consegue parar de pensar. E aí dá nessas coisas. Mas a sua maior invenção foi o fiel escudeiro, o minirrobô Lampadinha (criado por Barks em 1953), o único que é capaz de colocar o professor nos eixos. Tem também um sobrinho, o Pascoal, um autêntico gênio mirim. Em compensação, tem passado maus momentos com seu rival, o Prof. Gavião, sempre pronto a roubar-lhe as invenções. Outros que lhe tem criado problemas: os irmãos Metralha e Maga Patalójika.

Em uma entrevista datada de 1975, Carl Barks descreveu a origem do gênio incompreendido de Patópolis: “Acho que todo cartunista que já fez tiras de quadrinhos colocou em algum momento um inventor maluco em sua obra. Eu precisava de um personagem assim e deliberadamente criei o Prof. Pardal como um inventor maluco. Eu imaginava usá-lo de vez em quando e dei a ele a aparência de um frangão desajeitado”.

Mas o Prof. Pardal tinha potencial e isso logo acabou se revelando. Sua influência na vida real vai além de emprestar o nome a pessoas criativas e inteligentes. Prova é o inventor norte-americano Dean Kamen, que não só carrega o título de Prof. Pardal da vida real, como se inspirou no personagem para criar certas invenções, como o Segway.

Algumas histórias de Pardal foram criadas no Brasil. A primeira foi “O Rei Do Ié-Ié-Ié”, publicada em “Zé Carioca” nº 869, de 1968, com roteiro e desenhos de Waldyr Igayara de Souza.

pateta

professorpardal

 

3 ideias sobre “Esses adoráveis maluquetes

  1. Sergio Silvestre

    Mesmo vivendo na miséria,na época que meu Pai abandonou a família,um sr que trabalhava na Editora Abril me trazia do deposito revistas velhas aos montes e com isso eu tinha uma coleção do Mickei desde o numero 51 que saiu na década de 60.
    Eram revistinhas inocentes e pedagógicas,os Fuinhas ,Metralhas e os bafos de onça de hoje são mais letais,estão ai até na presidência do Brasil.

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