7:19É Leal ou não é ?

O repórter Euclides Lucas Garcia, da Gazeta do Povo, juntou o lé com cré da ligação entre o ex-diretor do DER, Nelson Leal Junior, com Beto Richa, desde os tempos em que este era prefeito de Curitiba. Até ontem era homem de confiança do atual governador. Foi preso pela Polícia Federal de manhã e exonerado do cargo no final da tarde, sob suspeita de enfiar a mão no jarro em mutretas com as concessionárias de pedágio. Abusando do trocadilho, se era leal a Richa ou não, e também ao irmão do governador, Pepe Richa, secretário de Infraestrutura, a quem era subordinado, as investigações e o processo que vem por aí, espera-se, vão esclarecer. Confiram:

Preso por suspeitas no pedágio, diretor do DER é ligado a Richa desde a prefeitura

Assessor da Casa Civil alvo de busca e apreensão também ocupou cargos comissionados em gestões anteriores do tucano. Ambos foram exonerados de seus cargos no governo do estado

 

prisão do diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), Nelson Leal Jr., caiu como uma bomba no Palácio Iguaçu. Aliado de Beto Richa (PSDB) desde a época da prefeitura de Curitiba, ele é subordinado ao irmão do governador e secretário de Estado de Infraestrutura, Pepe Richa. Ao comentar o assunto, integrantes do círculo de poder do tucano não escondem a preocupação com os desdobramentos do caso – na esfera policial e também eleitoral. Leal Jr. foi exonerado do cargo no final da tarde.

Deflagrada no âmbito da Lava Jato nesta quinta-feira (22), a Operação Integração investiga casos de corrupção na concessão de rodovias federais no estado. Contra Leal Jr. pesam suspeitas de recebimento de dinheiro de forma ilícita de empresas ligadas ao pedágio. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), ele “firmou com as concessionárias inúmeros termo de ajuste sem amparo técnico em que foi acordada a retirada de obras e o incremento das tarifas”.

LEIA TAMBÉM:Relação da Triunfo com operadores da Lava Jato apareceu pela primeira vez em 2016

Por ora, Leal Jr. está preso temporariamente por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. E o receio do Palácio Iguaçu é como isso vai respingar no governador. O atual diretor-geral do DER foi secretário de Obras em Curitiba quando Richa era vice-prefeito e se manteve na pasta quando o tucano assumiu a prefeitura. Na administração da capital, ele ainda foi assessor no gabinete do então prefeito Beto Richa e também na Secretaria de Governo.

Já com Richa no governo do estado, Leal Jr. assumiu o DER em 2013 – ele também integra o Conselho Fiscal da Copel. No órgão, onde tem salário de R$ 12,7 mil, ele responde a Pepe Richa, que, agora, vê sob risco as pretensões de se candidatar a deputado federal.

Busca na Casa Civil

Alvo de mandado de busca e apreensão em seu local de trabalho na Casa Civil do governo do estado, Carlos Felisberto Nasser também tem um histórico político com Richa. Ele foi assessor no gabinete do prefeito de Curitiba de janeiro de 2005 a novembro de 2011 – já na gestão Luciano Ducci (PSB). Em fevereiro de 2013, Nasser foi nomeado na Casa Civil, onde atua na Coordenadoria de Assuntos Políticos e recebe salário de R$ 9,7 mil.

Aliados diretos do governador, no entanto, afirmam que a relevância política de Nasser é “zero” e que ele é um senhor de mais de 80 anos com câncer. Até por isso, não haveria preocupação de Richa em relação ao envolvimento do assessor palaciano na Lava Jato, a quem o Executivo se referiu como ocupante de um “cargo de terceiro escalão, sem qualquer vínculo com o gabinete do governador”. Ele também foi exonerado da função de assessor.

Outro lado

A defesa de Nelson Leal Júnior disse que está estudando o caso, mas já adiantou que o cliente tem total disponibilidade de prestar todos os esclarecimentos. “Tanto é verdade que mesmo sem a presença de advogados, tão logo o procurador chegou a residência dele, ele prestou depoimento, abdicando da presença de advogado”, informou o advogado Beno Brandão.

A reportagem não conseguiu contato com Carlos Nasser ou seus advogados.

Em nota, a Secretaria de Estado da Comunicação Social, do governo do Paraná, informou que já houve a instauração de “processo de investigação” para “esclarecimento de eventuais irregularidades apontadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal”. A investigação será conduzida pela Controladoria Geral do Estado.

“Tanto os contratos quanto os aditivos relacionados ao chamado Anel de Integração foram conduzidos pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), que é o poder concedente. E todos terminaram submetidos ao crivo da Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná (Agepar), que homologou seus termos”, continuou a nota do governo do Paraná.

Uma ideia sobre “É Leal ou não é ?

  1. Eu

    DER, poder concedente. AGEPAR homologa contratos. Pessoal, ambos órgãos são da mesma “tchurma”. A falsa legitimação dos contratos do pedágio (como diz a Secom quando alega que DER e AGEPAR assinaram embaixo da “merda toda”) é chamar o povo de burro. Fica o recado para o Secom: trabalhe com números, dados, fatos. No momento que o DER tem o seu chefe maior preso, não cola dizer que a instituição assinou algo. Só traz mais suspeitas. Mas provável que a Secom não faça a comunicação honesta, pois não tem argumentos para isso.

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